Logo topo

    José Eugênio Rocha

    José Eugênio Rocha

    Terça, 19 Novembro 2024 00:17

    Os primeiros migrantes do Norte/Nordeste

    Foi em meados da década de 1990 - há 30 anos, portanto - que se deu início ao fluxo migratório das regiões norte e nordeste do Brasil, onde trabalhadores e suas famílias aportaram em São Gotardo na expectativa de melhores condições de vida

    Perto de deixar o cargo, Denise Oliveira faz um balanço de seu mandato à frente da Prefeitura de São Gotardo nesta entrevista ao Jornal Daqui.

    Naquele ano, quando se concretizou a transferência do público para o privado, não se sabia dos imbróglios e simbolismos que tal área ostentava em suas origens, nada menos que o berço de fundação de uma cidade.

    No dia 26 de setembro de 1974 escritores de renome nacional vieram a São Gotardo para um encontro aqui nas terras do Confusão; berço temporal de poetas e pensadores, a década de 1970 é impar sob vários aspectos, a começar pelo lançamento da revista Paca, Tatu.

    É nesta levada que germina a promoção de um 'Ciclo de Debate cultural', e que fez aportar por aqui, cabeças tão distintas do universo intelectual brasileiro. Osvaldo França Junior, Moacir Laterza, entre tantos outros, se reuniram para falar de literatura, audiovisual, Jornalismo e poesia mineira.

    Hoje, passados meio século, o Jornal Daqui rememora aquele encontro nas palavras de um de seus organizadores, o escritor Luiz Sérgio Soares, em parceria com Luiz Fernando Prados. Publicamos abaixo suas lembranças daquele singular evento. Segue também, lançando luzes sob o olhar atento de quem presenciou de perto este Ciclo de Debates, uma crônica assinada pelo escritor Edson Carlos.

    “Reunimos em São Gotardo durante quatro dias, em setembro de 1974, o que havia de melhor na literatura e no mundo cultural mineiro da época, sem patrocínio, mas com o apoio dos colégios e da sociedade. A participação dos estudantes e professores foi grande, com o amplo salão do clube cheio todos os dias e com bastante perguntas.

    Quem foram os organizadores? Eu e Luiz Fernando, que tocávamos o Clube Reunião, demos o pontapé inicial, contando com o Edson Carlos, o Antônio Sérgio Bueno e o Paulinho Assunção na frente cultural juntamente com Tarcísio Melo, Batistinha, Ápis e Julio Prados. Meu pai, Clarimundo Soares, já tinha nos cedido o Clube e emprestou um cômodo, onde funcionou a secretaria informal do evento. Tudo foi discutido e decidido coletivamente.

    Os palestrantes ficaram hospedados em diversas casas da cidade e um grupo deles ficou na Fazendinha dos Padres. Adão Ventura, poeta, ficou em nossa casa. Ele e Jaime Prado Gouveia tinham sido meus colegas de faculdade. Oswaldo França Junior ficou com o Zé Pessoa, que o surpreendeu, conforme relato do próprio doutor, retirando do sapato uma crônica do hóspede que estava dobrada e forrando o calçado.

    Todos eles tinham imensa divulgação e relevo na vida cultural mineira e alguns atingiram projeção nacional: Geraldo Malhaes, cineasta, Luiz Vilela, cronista premiado, Murilo Rubião, Oswaldo França Júnior.

    Surpreendente as palestras de Sérgio Maldonado, sobre a história da pintura, e a fala apaixonada e apaixonante do filósofo Moacir, Laterza, sobre arte e comunicação abordadas com seu saber enciclopédico.

    Houve uma feira de livros e conseguimos doações dos autores e das editoras para a Biblioteca Municipal.

    O ponto alto do evento foi a apresentação na Praça Olegário Maciel-Sagrados Corações, dos grupos folclóricos locais e da feira de artesanato. Nós tínhamos conseguido que o pároco revogasse a proibição do congado, devido à participação de casais que não tinham casado na igreja, e o Congado, o Trança-Fitas e os Catopé, vindos de diferentes pontos da cidade, entraram tocando e dançando na manhã ensolarada, o que deixou os escritores e intelectuais extasiados. Era a festa das culturas, o encontro da universidade com o saber popular, do local com o universal!”

    Luiz Sergio Soares e Luiz Fernando Prados

    “Eu morava em Brasília, estava envolvido com estudos de Linguística e leituras de revisão no MEC, além de lecionar – aquela luta de professor iniciante com filhos de 2 e 3 anos etc. Mas a Literatura envolvia a gente por todos os poros: tanto que emprestei os 7 volumes do Proust para o Ápis, e estava na mais completa proximidade com o Carlos Swan, a Odete, o Barão de Charlus e tantos mais que os anos vão escondendo nos esconsos da memória.

    De repente, vem o convite dos Luís Sérgio e Luís Fernando, e aí foi outra imersão sensacional: a bem da verdade, eu só conhecia 5 dos 19 participantes do Ciclo de Debates, um dos quais eu mesmo. Os outros o Sebastião Nunes, meu colega da Faculdade de Direito UFMG, o Moacir Laterza, meu professor de Filosofia no mosteiro dos dominicanos da Serra BH, o Luís Vilela devido a sua amizade com o Sérgio Bueno, e o Oswaldo França através de seu livro premiado 'Jorge, um brasileiro', contando as peripécias de um motorista viajando para a nova capital. E estes, e mais outros muitos em São Gotardo encontrando-se no Clube onde eu vivera momentos intensos dançando com as menininhas de 15 anos e jogando ping-pong.

    Agora era para conversar sobre literatura. Além de andar com esse pessoal pela rua Governador Valadares e ver os congados na Praça Olegário Maciel, depois de vencer a resistência do pároco sobre a vida privada dos festeiros! Muita emoção, né!

    Disso me lembro bem! Mas só após 50 anos consigo avaliar o arrojo daqueles jovens, que tiveram todo o mérito dos incríveis dias 26, 27, 28 e 29 de setembro de 1974, quando por baixo dos panos aconteciam muitas coisas deploráveis – e a gente mal sabia! Luís Fernando Prados, Luís Sérgio Soares, Ápis, Batistinha, Tarcísio Melo, Júlio Prados, Paulinho Assunção, que promoveram o Ciclo de Debates e certamente já projetavam uma revistinha célebre que viria poucos anos depois: a Paca-Tatu-Cotia não!”

    Edson Carlos

    Movimentos migratórios raramente ocorrem da noite para o dia; ainda assim, o ano de 1974 pode ser fixado como epicentro na cronologia da migração japonesa. Há exatos 50 anos chegava às terras do Confusão a primeira leva de colonos oriundos de São Paulo e Paraná. outros vieram depois, em anos seguintes.

    Simbolicamente, portanto, pode-se cravar 1974 como o ano da Migração japonesa em São Gotardo. Esta precisão se confirma historicamente por ser compreendida como desdobramento natural à publicação, no mês de setembro do ano anterior(1973), de um Decreto de desapropriação assinado pelo Governo Federal de uma extensa área do cerrado para implantação do Padap.

    Foi a partir deste documento que governo, nas três esferas de poder, e a extinta Cooperativa Agrícola de Cotia deram início ao processo de assentamento da área desapropriada.

    Entre as inúmeras camadas e pontos de interseção que se cruzam e se intercambiam no entorno do Programa de ocupação do cerrado, a migração de famílias nipobrasileiras, por si só já oferece farto material de análise e observação.

    Uma história que pode ser dividida em vários capítulos, prevalecendo em cada um deles como força modeladora o inusitado, o imprevisível; a começar pela escolha de São Gotardo como sede do Padap, e também a nova casa das dezenas de famílias de colonos japoneses que aqui aportaram com o propósito de levar à frente uma empreitada até então inédita em terras brasileiras: a exploração agrícola das terras virgens do cerrado.

    E assim, de capítulo em capítulo a épica saga foi se desenrolando em novos contornos, sem um fim à vista, passando de mão em mão, de pai para filho, e depois aos netos.

    A partir do primeiro contato, ocorrido meio século atrás, o lento processo de integração de culturas tão distintas se limitou, em certa medida, às relações de natureza econômica, centrada na produção agrícola, prestação de serviços, emprego e renda - evidente que repercutindo em outros campos, mas com menor intensidade. Aprendeu-se com o tempo a arte da convivência respeitosa e naturalmente, simbiótica.

    O tempo cuidou de pacificar e acomodar universos tão distintos, mas unidos por um propósito comum. Dada a distância continental entre as duas culturas, houve um choque inicial, mas que foi se arrefecendo graças à força propulsora que desencadeou nos anos seguintes uma notável reviravolta econômica aqui no município de São Gotardo. Neste aspecto o Padap, como pano de fundo, consolidou ao longo das últimas décadas o encontro definitivo entre dois povos.

    Os japoneses cultivam um forte vínculo às tradições de seu país de origem e sempre fizeram questão de perpetuar entre seus descendentes valores, modos e costumes, como forma de manter os traços de sua identidade única. Este desejo inerente em preservar as tradições, no entanto, nunca se mostrou obstáculo intransponível nas relações humanas de convivência por aqui; ao contrário: a simbiose tratou de acomodar e mesclar modos e costumes em uma espiral virtuosa que hoje, transcorridas cinco décadas, podemos afirmar que compartilhamos da mesma história.

    Se o tempo encarregou de assimilar as diferenças e misturar em um mesmo caldeirão caldo de culturas tão distintas, sobram sinais que evidenciam desdobramentos desta interação, e que vão além dos restaurantes de comida japonesa espalhados pela cidade, ou das relações de economia e trabalho nos campos de produção agrícola. Vários descendentes dos primeiros migrantes constituíram família com brasileiros, miscigenando novas gerações de descendentes. Outro sinal claro desta interação pode ser verificado no campo institucional, com especial destaque na gestão de cargos públicos, como a recente eleição de Makoto Sekita ao posto de prefeito do município (e antes dele, de seu irmão Seiji Sekita).

     

    Os primeiros migrantes

    Resta saber em que medida a interação entre duas culturas tão distantes no tempo e no espaço, se desdobrou em influência direta entre uma e outra. O que aprendemos com os japoneses e o que eles aprenderam conosco? Certamente algumas camadas são instransponíveis, outras nem tanto.

    No livro Portal do Cerrado, o autor explica que “na concepção japonesa de vida, há uma ideia de valorizar mais os meios, nem tanto os fins, como acontece na concepção ocidental. Na cultura oriental, predomina a ideia de que não é tão importante buscar o melhor, a nota 10, o primeiro lugar, mas que, fazendo-se da melhor maneira possível, pode-se chegar ao máximo”.

    Vemos na implantação do Padap, quando de seu início, um exemplo de resiliência e disciplina que confirmam à risca este ensinamento. Não se poderia imaginar um desdobramento como se deu. O importante era dar o máximo de si naquele momento de desafio. Esta é uma lição que temos certa dificuldade em aprender: sempre visamos um fim, uma nota máxima, que em boa parte das vezes se acomoda mais bem nas vestes de uma miragem.

    Os primeiros migrantes não faziam a mínima ideia, lá no ano de 1974, o que lhes aguardava; isso, sem levar em conta que estamos falando da primeira ocupação do cerrado em terras brasileiras.

    Luiz Sasaki, autor do livro citado acima, se formou no curso de agronomia em universidade do Parará e foi contratado pela Cooperativa de Cotia, chegando a São Gotardo em fevereiro de 1974. Ele faz parte do primeiro grupo de migrantes que ao longo daquele ano foram chegando e se instalando na nova colônia. Tamio Sekita, Horácio Muraoka, Naohito Tsugue, Hiroshi Takigami, Massato Sakuma, Koji Sato, José Okuyama, Paulo Shimada...; acompanhados de suas famílias, foram alguns dos primeiros produtores a se intalar aqui no município.

    Ao longo dos anos seguintes, até o início da década de 1980, o processo migratório foi se consolidando em seu formato definitivo com a ocupação e distribuição de todos os lotes do Padap. Até meados da década de 1980, a nova colônia já havia se estabelecido como comunidade autônoma. Os resultados positivos obtidos no campo naquela primeira década de experimentalismo e desafios, pavimentaram novos caminhos e novas perspectivas, e uma certeza: vieram para ficar.

    As limitações da área cultivável do Padap, já toda ocupada até o início da década de 1990, não representou esgotamento do processo produtivo, ao contrário, serviu de incentivo a novos desafios, com a implementação de novas tecnologias em um moto continuom que perdura até os dias de hoje.

    Por tudo isso há que se relembrar e comemorar neste ano de 2024 os 50 anos da migração japonesa. Cinco décadas de história que se inscreve na vida de milhares de famílias que compartilharam e compartilham, direta ou indiretamente desta consagrada saga chamada migração japonesa em São Gotardo.

     

         As fotos de arquivo publicadas nesta página foram gentilmente cedidas por Igor Sasaki, a quem prestamos nossos agradecimentos.     

    Processo de transição, resultado das eleições e formação de novo gabinete foram alguns dos temas abordados na coletiva de imprensa.

    O ano 2023, logo depois de rompido o hiato da Pandemia da Covid, é data para não ser esquecida no calendário do processo educacional de São Gotardo; uma linha divisória que redefine tudo o que aprendemos até agora. Sim, estamos falando de uma revolução no ensino: a implantação definitiva de um novo modelo de aprendizagem, a Escola de Tempo Integral.

    Nesta reportagem especial, vamos conhecer as duas escolas pioneiras nesta empreitada, não só em São Gotardo, mas na região. A Escola Municipal José Antônio e a Escola Estadual Oscar Prados coincidentemente deram início no mesmo ano de 2023 à nova metodologia, rompendo um modelo secular, e que restringia a um só turno – manhã, tarde ou noite – o tempo de permanência do aluno na escola. Não é pouca coisa. Assim posto, pode-se traçar uma linha entre o antes e o depois.

    Apesar do pouco tempo de experiência, pais, alunos, diretoria e professores são unânimes no reconhecimento de uma formidável mudança no modo de educar e aprender. São inúmeros e visíveis os 'sinais' que apontam nesta direção.

    Já imaginou, por exemplo, uma escola onde os portões podem permanecer abertos, sem temor de evasão do aluno que, ao contrário, fica louco para entrar? Ou que a arte da convivência e do respeito não fosse mais que uma obrigação, mas um exercício permanente e espontâneo por parte dos alunos, e destes, com pais e professores? Ou poderíamos ainda falar das aulas de reforço, das diversas oficinas de aprendizagem...E mais, convém salientar que os impactos positivos vão muito além do ambiente escolar, e repercutem diretamente nas esferas social e econômica do município.

    Esta reportagem especial e exclusiva do Jornal Daqui, foi dividida em duas partes devido à amplitude do conteúdo. Nesta edição abordamos a escola municipal de tempo integral José Antônio, localizada no bairro Boa Esperança, e na próxima edição vamos conhecer de perto a escola estadual de tempo integral Oscar Prados, do bairro Alto Bela Vista.

     

    Escola de Tempo Integral - ferramenta de desenvolvimento socioeconômico

    O novo modelo de ensino que passa a ser adotado em São Gotardo não é ideia nova e já foi testado e aprovado em diversos países ao redor do mundo, que apostaram na implementação de escolas de tempo integral, reconhecendo o potencial dessa modalidade para promover uma educação mais completa e transformadora para os alunos. Entre os principais exemplos, podemos destacar:

    • Finlândia: Reconhecida como referência global em educação, a Finlândia oferece ensino integral para todos os alunos desde a educação infantil até o ensino médio. A jornada escolar estendida permite um aprofundamento maior nos conteúdos curriculares, além de proporcionar amplas oportunidades para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e da criatividade.
    • - Coreia do Sul: Outro país que se destaca pelo sucesso das escolas de tempo integral é a Coreia do Sul. Com um sistema educacional altamente competitivo, o país implementa o ensino integral desde a fase primária, com foco no desenvolvimento intelectual, tecnológico e na preparação para os desafios do mercado de trabalho.
    • 3. Cingapura: Reconhecida por seus excelentes resultados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), Cingapura também oferece ensino integral para a maioria dos seus alunos.

    Escola Municipal José Antônio é 100% integral

    O desafio de adaptar uma escola tradicional para o novo modelo de tempo integral exige uma série mudanças, principalmente de mentalidade e perspectiva, tanto por parte do corpo docente e diretoria como dos alunos e de suas próprias famílias. No entanto, logo depois que o tempo integral se tornou obrigatório, a partir do início de 2023, um estranhamento inicial foi rapidamente substituído pela aprovação maciça de todos os envolvidos.

    Como ressalta a Secretária Municipal de Educação, Flávia Pereira, “a implantação do novo modelo contribui para que a formação das crianças favoreça o conhecimento pedagógico, cognitivo, e além disso, conteúdos que vão favorecer o desenvolvimento psíquico, físico, emocional e cultural de cada aluno”.

    Localizada no bairro Boa Esperança, a Escola municipal José Antônio aceitou o desafio ao implantar o novo sistema de ensino em sua totalidade, e hoje, todos os seus 360 alunos matriculados – salvo raras exceções – são atendidos com uma grade curricular que tem início às 7 horas da manhã e só termina às 16 horas da tarde.

    Cada minuto do dia é devidamente aproveitado em uma extensa programação, como nos conta a diretora Cândida de Ávila: “As aulas começam às 7 horas, mas abrimos o portão 15 minutos antes para as crianças tomarem o café da manhã. Até as 11h, quando é servido o almoço eles ficam na sala de aula. Nesse meio tempo tem o recreio, quando é servido um lanche, normalmente, frutas.”

    Após o almoço, os alunos são acompanhados por seus professores até o pátio para uma pausa de descanso e recreação; é um momento de contato, de convivência fora da sala de aula. É também um momento onde aprendem o respeito mútuo e a lidar e resolver possíveis conflitos entre eles, e assim aprendem também a se socializar mais.” conclui ela.

    Terminado o primeiro turno do dia, a parte da tarde é reservada para as oficinas e outras atividades. São inúmeras as opções, como aulas de Taekwondo, Fanfarra, Reforço escolar, Informática, Artes, aula de inglês, Yoga, empreendedorismo, futebol e, a partir deste mês, natação. “às 12:30 começam as oficinas, com duração de 1 hora cada; ao longo de toda tarde, com intervalo para o lanche, os alunos, divididos por turmas, participam de uma série de atividades, todas elas trabalhando o desenvolvimento cognitivo, criatividade e práticas esportivas; tudo bem organizado, e todas as oficinas e atividades sendo realizadas ao mesmo tempo; uns vão para a aula de reforço em dia, enquanto outros vão para o laboratório de informática, e assim, sucessivamente” explica a diretora.

    escola diretoraA diretora da escola Cândida Ávila(à direita) ao lado da vice-diretora Madalena Silva

    A convivência diária ajuda ainda a fortalecer os vínculos entre os educadores, pais e alunos, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento intelectual, emocional e social da criança, lembrando que a Escola José Antônio engloba a educação infantil e ensino fundamental I, abrangendo uma faixa etária dos 4 aos 10 anos de idade.

    Como resultado deste novo modelo, o enorme potencial inato de aprendizagem das crianças encontra na escola as condições favoráveis para seu desenvolvimento. No campo da alfabetização, por exemplo, os indicadores apontam um crescimento substancial se comparado ao modelo anterior.

    Na outra ponta, os impactos positivos para as famílias dos alunos transcendem o processo de aprendizagem e ganham importância ainda maiores por eles permanecerem ao longo de todo dia em um ambiente saudável e seguro. Assim, pais e mães, em sua maioria trabalhadores rurais, não precisam se preocupar enquanto estão fora, pois sabem que seus filhos estão em boas mãos, crescendo e desenvolvendo suas habilidades, seus conhecimentos.

    Publicada na edição anterior, a primeira parte de reportagem especial sobre a implantação de escola em tempo integral em São Gotardo trouxe aos nossos leitores informações sobre o processo de implantação e estrutura funcional da bem sucedida experiência na Escola municipal José Antônio, instalada no bairro Boa Esperança.

    Como anunciado, retornamos ao tema nesta segunda parte da reportagem, lançando um olhar mais detido em outro centro de ensino, a Escola Estadual Coronel Oscar Prados, do bairro Alto Bela Vista, que também deu início em 2023 à efetiva implantação da nova metodologia de ensino

    Sob vários aspectos trata-se de caminhos distintos entre uma e outra, mas na essência, de propósitos similares. Enquanto na José Antônio todos os alunos matriculados, em torno de 360, foram inseridos no novo modelo. No Oscar prados a implantação é gradual; primeiro com a implementação do Ensino Médio de Tempo integral, parcialmente funcionando a partir de 2022. Já o Ensino Fundamental de Tempo Integral da escola foi implantado no ano de 2023 com uma turma de 6º e outra de 7º ano, e o 8º ano agora em 2024. A meta é incluir também o 9º ano a partir de 2025. Ou seja, praticamente toda a Escola será composta por turma de tempo integral a partir do próximo ano.

    Outro diferencial das duas escolas diz respeito ao formato do currículo pedagógico. Enquanto na José Antônio as aulas complementares com as diversas oficinas ocorrem no período da tarde, na escola Oscar Prados elas são mescladas ao longo dos dois turnos com as disciplinas tradicionais.

    Assim compreendido, adentraremos agora mais detidamente no processo de implantação do ensino de tempo integral da Escola Estadual Coronel Oscar Prados.

    escola01Foto da equipe diretiva da EECOP, da esquerda para a direita : Roberto Carlos Xavier (vice diretor do noturno ); Adaiza Claudia de Jesus Bontempo (diretora); Íris Ribeiro gontijo (vice diretora da manhã ); Aline Almeida (vice diretora da tarde).

    A inovação bate à porta

    Agora, em 2024, o universo de alunos que frequentam uma carga horária de 9 horas por dia é assim distribuído: 80 estudantes do ensino fundamental anos finais (6º, 7º e 8º ano) e 75 estudantes no Ensino médio (1º, 2º e 3º ano). Um público formado majoritariamente por crianças e adolescentes oriundas de famílias onde os pais se desdobram diariamente na lida do campo. Também por este ângulo o ensino integral garante os cuidados necessários de uma segunda casa, com três refeições ao longo do dia: café reforçado no início da manhã e à tarde e o almoço, tudo acompanhado por uma nutricionista. Além é claro do acompanhamento pedagógico e disciplinar, dando aos alunos a oportunidade de preencher seu tempo de uma forma prazerosa e ao mesmo tempo, produtiva.

     

    O Jornal conversou com Cristiane Pereira Araújo, Especialista de Educação da Rede Estadual, e que atua no Oscar prados desde 2012. Ela trabalha diretamente com os alunos do ensino médio de tempo integral da escola.

    Diferente do modelo tradicional de um só turno, o ensino médio de Tempo Integral mescla as várias áreas de conhecimento ao longo do período de nove horas em que o aluno permanece na escola. O currículo inclui as quatro matérias de formação geral básica: a Linguagem, a Matemática, Ciências da natureza e Ciências humanas. As aulas são distribuídas nos dois turnos, intercalando entre elas os conteúdos chamados Itinerários e de aprofundamento, num conjunto de 27 disciplinas.

    Cristiane cita o exemplo da aula de física ou de química, ministrada uma vez na semana. Como complemento ao conteúdo teórico abordado, os alunos têm a oportunidade de aprofundar o assunto em uma aula prática no laboratório da escola. “O aluno começa a entender que o conteúdo estudado pode ser colocado em prática”. Explica Cristiane, e conclui: “um dos maiores desafios, e que se revela como uma das causas da evasão escolar é a não compreensão da utilização do conteúdo teórico na prática, no seu dia a dia. Com estas aulas de aprofundamento observamos que os alunos passaram a compreender melhor o assunto em questão”

    Além das aulas de aprofundamento, os alunos em tempo integral passam a ter contato com uma série de temáticas, como o conteúdo itinerário Cidade Sustentável, onde são ensinadas por exemplo técnicas de reciclagem e descarte correto de material, horticultura e princípios sobre a preservação do meio ambiente.

    Há também as disciplinas Eletivas, onde o aluno escolhe o tema que deseja trabalhar. Neste campo, abre-se um enorme leque de possibilidades, inclusive para acessar fontes de conhecimento e práticas presentes na própria região. Aqui, vale citar um recente curso ministrado na Escola sobre a produção de rapadura, dando ênfase a cada etapa do processo, bem como sua relevância como patrimônio cultural do município. Engenhos de rapadura de pais de alunos da própria escola serviram de laboratório de aprendizagem, fortalecendo e aproximando assim os vínculos entre a escola e a comunidade de pais e alunos.

    E além de tudo, ao conhecer de perto e dominar técnicas de produção locais, amplia-se o campo de possibilidades como opções para seguir uma carreira profissional. Falando nisso, a Escola de Tempo Integral Oscar Prados disponibiliza matéria específica sobre o universo do trabalho. E uma boa maneira de acessar conhecimento nesta área são as palestras ministradas por profissionais dos mais diversos segmentos. A convite da escola eles explicam aos alunos as peculiaridades e os requisitos para seguir determinada carreira profissional.

    O choque inicial

     

    Como ressaltamos na edição anterior, o desafio de adaptar uma escola tradicional para o novo modelo de tempo integral exige uma série mudanças, principalmente de mentalidade e perspectiva, tanto por parte do corpo docente e diretoria como dos alunos e de suas próprias famílias.

    Assim como ocorreu na Escola Municipal José Antônio, também na Escola Estadual Coronel Oscar prados foi necessário um período de adaptação ao novo modelo, mesmo porque, completamente distinto do tradicional, de um só turno. Em um primeiro momento, investiu-se na capacitação dos professores, para em seguida, implantar o novo sistema de ensino.

    Os primeiros passos se deram em 2019, mas só em 2023, passada a Pandemia, pôde-se efetivamente colocar em prática. Houve evidentemente uma resistência e um estranhamento inicial por parte dos alunos, o que foi contornado graças a um esforço efetivo da diretoria, que promoveu várias reuniões com os pais, inclusive com a presença do superintendente da regional de Patos de Minas.

    Vencida esta fase, o novo modelo passou a ser adotado paulatinamente, classe por classe, e hoje, o estranhamento inicial foi substituído pela aprovação maciça de todos os envolvidos.

     

    O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) autorizou nesta terça-feira (20) que divórcios, inventários e testamentos possam ser feitos de forma extrajudicial mesmo quando houver filhos com menos de 18 anos envolvidos. A decisão foi unânime.

    Antes, a partilha por via extrajudicial somente era possível se o herdeiro menor fosse emancipado, isto é, tivesse uma declaração como legalmente capaz. Com a nova regra, um juiz

    precisará ser acionado somente em caso de disputa na divisão dos bens.

    A medida simplifica a tramitação dos atos, que não dependem mais de homologação da Justiça. A decisão foi tomada em julgamento de pedido de providências relatado pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, e feito pelo IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família).

    Para que seja possível que o ato seja feito em cartório, no entanto, deve haver consenso entre os herdeiros. Além disso, sempre que o tabelião tiver dúvida a respeito do cabimento da escritura, deverá também encaminhá-la à Justiça.

    Ficou fixado que o Ministério Público deverá se manifestar favoravelmente. Os cartórios terão de enviar a escritura pública de inventário ao MP. Caso o órgão considere a divisão injusta ou haja impugnação de terceiro, o processo seguirá ao Judiciário. No caso de crianças e adolescentes ou de incapazes, a resolução detalha que o procedimento extrajudicial pode ser feito desde que seja garantida a eles a parte ideal de cada bem a que tiverem direito.

    A norma aprovada altera a resolução de 2007 do CNJ que disciplina a lavratura dos atos notariais relacionados a inventário, partilha, separação consensual, divórcio consensual e extinção consensual de união estável por via administrativa.

    As Estimativas da População residente nos municípios, divulgadas pelo IBGE no início de agosto, foram calculadas com base nas Projeções da População do Brasil e Unidades da Federação, Revisão 2024, e nos totais populacionais dos municípios enumerados pelos Censos Demográficos 2010 e 2022.

    As populações recenseadas nos municípios nos dois últimos Censos foram ajustadas e serviram de base para o estabelecimento da tendência de crescimento da população para as Estimativas da População até a data de referência, em 1º de julho de 2024.
    A cada ano são incorporadas nas estimativas municipais de população as alterações de limites geográficos que porventura aconteçam entre os municípios.

    No ano de 2022, o Censo registrou uma População 40.910 pessoas no município de São Gotardo. Atualizado, esta contagem chega à marca de 43.309 habitantes agora em 2024.


    Fonte: IBGE

     

    Aumento da população de São Gotardo é três vezes maior que a média nacional

    No ano de 2010, data do último Censo, São Gotardo tinha 31.807 (trinta e um mil, oitocentos e sete habitantes), uma variação de 15,11% em relação ao ano 2000 quando a população era de 27.631 (vinte e sete mil, seiscentos e trinta e um habitantes). Na década seguinte(de 2010 a 2022), este percentual mais que dobrou, saltando para 33% de aumento da população – três vezes maior que a média nacional. Dois fatores impactam diretamente a estatística populacional de uma cidade, estado ou país: a taxa de natalidade e de mortes, e a migração. Evidente que este aumento exponencial aqui no município de São Gotardo se explica principalmente pelos impactos do processo migratório.

     

     

    Página 3 de 35
    loading...
    + Lidas do mês
    Joanico Resende - A grandeza de homens discretos – Parte I
    Pontos de ônibus carecem de Guaritas
    Guarda dos Ferreiros: Distrito, com porte de cidade
    Delegado indicia autores de dois crimes ocorridos nos dias 15 e 16 de fevereiro.
    STF decide, mas Farmácias ainda permanecem de Plantão

    Encontre-nos

    Edição atual

    jd181 pag01

    © 2024 Jornal DAQUI - Todos os direitos reservados.