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    Leonardo Camisassa

    Leonardo Camisassa

    Terça, 20 Agosto 2019 15:04

    O choro de Rodrigo Maia

    Em meado do mês anterior, mais precisamente no dia 11, a Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a proposta base da reforma da previdência. A vitória foi, como se disse muito, acachapante. A grande maioria dos 513 deputados votou favoravelmente pela aprovação da reforma.

    Muito já foi dito a respeito da reforma da previdência e muito ainda será dito. O pior é que, além de ser somente dito, muito ainda será sofrido no futuro quando a grande maioria da população brasileira começar a sentir no corpo e no bolso os impactos perversos dessa reforma.

    Nesse momento cabe aqui pensarmos em quem perdeu e quem ganhou com essa reforma.

    Quem perdeu, ou melhor, quem perderá seremos nós. Nós trabalhadores que teremos um horizonte sombrio ao pensarmos em nossa aposentadoria depois de uma vida inteira de trabalho. Mais tempo de trabalho, menor valor do benefício, mais regras impeditivas e limitadoras para a obtenção desse tão sonhado benefício. E estou falando somente de aposentadoria.

    Agora, quem ganhou ou ganhará com essa aprovação?

    Em primeiro lugar e já posso escutar as gargalhadas de felicidade, o sistema financeiro. A redução do gasto com o sistema previdenciário será totalmente absorvida pela banca financeira e tolo daquele que acredita que essa redução de gastos irá gerar investimentos do governo que irão estimular a produção e o emprego. Não caiam nessa peça de ficção, por favor.

    Em segundo lugar, ganha o governo federal, mas será um ganho relativo. O principal argumento a favor da reforma se fundamenta no déficit público e todo o esforço de convencimento se baseia no fato que a reforma trará capacidade de investimento por parte do governo. Com a reforma o país poderá voltar a crescer, esse é o argumento.

    Mas porque um ganho relativo? Aprovada a reforma o governo federal ficará exposto e será fortemente cobrado pela volta do crescimento econômico e como será quando isso não acontecer? É a velha história do telhado de vidro.

    E quem de fato ganha? O Congresso e, principalmente, Rodrigo Maia, que costurou todo o processo de aprovação dessa reforma na Câmara dos Deputados. Uma questão que se coloca nesse momento é se teremos um parlamentarismo escondido ou, visto por um outro lado, o atual presidente se tornou realmente uma rainha da Inglaterra, ou seja, governa sem ter poder?

    Tudo leva a crer que sim.

    É claro que se pode afirmar que houve a interferência do Poder Executivo nessa aprovação principalmente com a liberação de um caminhão enorme de dinheiro para, literalmente, comprar o voto dos deputados. É o velho mensalão que, em um passado recente, indignou muita gente de bem e que dessa vez foi totalmente tolerada.

    Mais uma vez percebemos o quanto nós, brasileiros, estamos apáticos.

    Uma nova realidade começa a se abrir a nossos olhos. O presidente se transforma, cada vez mais, em uma figura exótica que se limitará a aumentar a lista do festival de besteira que assola nosso país, acreditando que governa pelo Twitter sendo sempre apoiado pelos tresloucados de sempre.

    Caberá a ele se prender a questões periféricas para a vida do brasileiro e será a nossa Geni a quem jogaremos as pedras. As questões mais sérias ficarão por conta dos adultos.

    Aqui podemos perceber o quanto o poder político vem se isolando do povo brasileiro. Ficou muito claro com essa aprovação da reforma que Brasília se tornou um mundo à parte. O Congresso Nacional vive, não em função dos brasileiros que o elegeu como seus representantes e sim em função de si mesmo. As suas prioridades não são as necessidades do cidadão brasileiro e sim os seus próprios interesses que, na verdade, são os interesses daqueles que os financiaram para que possam estar lá. Está mais para se locupletarem todos do que para se restaurar a moralidade.

    Daí podemos entender o choro do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

    Foi um choro que explicita o poder, que mostra a emoção de quem, a partir de agora, determinará os rumos do Brasil. De quem tem o Congresso na palma da mão e poderá tirar do governo federal a quantidade de dinheiro que quiser.

    Com certeza o nosso choro não será de alegria.

     

    Sexta, 26 Julho 2019 01:52

    A tomada de três pinos

    O Brasil caminha a passos largos para o fundo de um buraco que, e isso é assustador, nunca chega. Estamos prestes a fechar mais uma década perdida.

    As estimativas de crescimento do PIB estão sendo rebaixadas sistematicamente. Do início do ano, quando os especialistas em economia previam um crescimento de algo em torno de 3% para 2019, chegamos na metade do ano e esse número veio caindo ao longo do tempo. Parece uma contagem regressiva: 3, 2, 1.... Agora, no final do mês de junho, as previsões muito otimistas dizem que o PIB irá crescer por volta de 1%. As mais realistas e não menos otimistas dizem que provavelmente teremos um crescimento no PIB entre 0,5 e 0%.

    O desemprego só faz aumentar. A cada mês temos notícias de que o número de novas vagas de emprego, oferecidas pelas empresas, vem sendo cada vez menor. Não há nenhum indicador que mostre uma possibilidade, mesmo que mínima, de reversão desse aumento no desemprego.

    O atual governo não está conseguindo combater esse mal na sociedade brasileira que se chama desemprego.

    A crise econômica se mostra cada vez mais grave e já se discute quando estaremos de fato em uma forte recessão.

    O governo, no esforço de justificar uma panaceia que se chama reforma da previdência, brada aos quatro ventos que o Brasil vem passando por uma forte crise fiscal e que, se essa reforma não for aprovada não haverá dinheiro para nada, criando uma situação de pânico entre a população a ponto de afirmar que não haverá dinheiro para pagar as aposentadorias.

    Uma crise fiscal significa, grosso modo, uma incapacidade do Estado em atender as demandas dos vários segmentos da sociedade em função de uma restrição em sua capacidade de gasto em virtude de um crescimento das despesas ou de uma redução das receitas.

    Olhando placidamente para uma definição técnica como essa ficamos quase (eu disse quase) tentados a acreditar. No entanto, quando verificamos que o governo brasileiro anuncia aos mesmos quatro ventos que irá reduzir os gastos com educação, por exemplo, em função dessa alegada crise fiscal observamos também que esse mesmo governo aumentou o gasto com os juros da dívida. Somente em abril desse ano, nos 22 dias uteis desse mês, o governo gastou 35 bilhões de reais e fazendo uma conta bem simples, isso implica gastar 1,6 bilhões por dia!!!!

    Considerando o período de janeiro a abril de 2019 em comparação com o mesmo período em 2018, ocorreu um crescimento de 9% no montante gasto com o pagamento de juros da dívida.

    Assim, vem à nossa mente uma pergunta: qual crise fiscal???

    Não há dinheiro para a educação, mas esse dinheiro existe para pagar juros e fazer os banqueiros felizes?

    O governo brasileiro gastou em 2018 algo próximo a 400 bilhões de reais com juros e esse número só faz crescer. Qual crise fiscal? Para que a reforma da previdência? A suposta economia de 1 trilhão de reais em 10 anos, resultado da aprovação dessa reforma espúria e que iria ser usado para dar capacidade de investimento ao governo será totalmente absorvido pelo sistema financeiro. E estou sendo otimista considerando que esse trilhão irá existir. Não se esqueçam que está em vigor uma emenda constitucional que foi aprovada em 2016, chamada de "teto dos gastos" que fará que esse dinheiro seja totalmente absorvido pelo pagamento dos juros da dívida.

    Os banqueiros, com uma lágrima escorrendo no canto dos olhos, sinceramente agradecem.

    Aqui faço uma autocrítica e me explico melhor.

    Autocrítica por ter cometido uma injustiça ao governo com um comentário feito algumas linhas atrás. Eu disse que o governo não está conseguindo combater o desemprego. Na verdade, não é que ele não esteja conseguindo e sim que ele não está fazendo absolutamente nada para combater o desemprego. Peço desculpas pela injustiça.

    E explico melhor o título acima. Diante de todos esses problemas que vivemos o que alardeia aos já conhecidos quatro ventos o nosso capitão presidente? Que irá rever a norma que torna obrigatória a utilização da tomada de três pinos, que essa tomada é a "tomada do PT" e que por isso deve acabar, mesmo com o parecer contrário do INMETRO. E o que acontece então? A sociedade gasta um esforço absurdo em discutir a utilização ou não dessa tomada de três pinos.

    É o festival de besteira que assola o Brasil. Estamos vivendo um teatro dos absurdos.

    Cai o pano.

     

    Sexta, 21 Junho 2019 20:55

    De volta para o passado

    Se consultarmos os dicionários veremos que apatia significa um "estado de alma não suscetível de comoção ou interesse; insensibilidade, indiferença." A filosofia, tão denegrida ultimamente, nos diz que apatia é o "estado de insensibilidade emocional ou esmaecimento de todos os sentimentos, alcançado mediante o alargamento da compreensão filosófica."

    Por sua vez e ainda consultando o "pai dos burros", descobrimos que alienação é a redução da capacidade do indivíduo em pensar e agir por conta própria, não existindo interesse em ouvir opiniões alheias e somente se preocupando com aquilo que lhe interessa diretamente.

    Já a psicologia entende a alienação como um processo de despersonalização no qual o sentimento e a consciência da realidade estão fortemente diminuídos.

    Já a teoria econômica cria, para melhor compreensão de uma realidade complexa, a ideia de que os indivíduos agem como se vivessem em uma manada de bois onde a maioria das pessoas seguem, de cabeça baixa e ruminando seus problemas, um boi que vai lá na frente e todos agindo de uma mesma maneira.

    Apatia, alienação, espírito de boiada, infelizmente refletem claramente uma grande parcela da nossa sociedade.

    O Brasil está vivendo uma estranha realidade. Procurei várias maneiras de tentar entender essa realidade e depois de pensar um pouco percebi que quem tem a melhor explicação da nossa realidade faleceu, por mais estranho que pareça, em 1968. Estou falando de Sérgio Porto, vulgo Stanislaw Ponte Preta, um cronista e humorista carioca que criou o Febeapá, o Festival de Besteira que Assola o País. Esse festival, apesar de criado para criticar uma realidade diferente da nossa, se mostra bem moderno.

    Vejamos:

    Cena 1: Dados da Organização Mundial de Saúde apontam o Brasil como o país com maior número de assassinatos por arma de fogo. Em 2016, 43 mil pessoas foram mortas por armas de fogo e, de acordo com a OMS, Brasil, EUA, México, Colômbia, Venezuela e Guatemala são responsáveis por 50,5% do total de mortes por armas de fogo no mundo todo. Diante desse quadro assustador, o atual presidente brasileiro assinou recentemente decreto que amplia o direito de posse e porte de armas para uma série de categorias profissionais.

    Cena 2: O Brasil possui 11,5 milhões de pessoas analfabetas. Desse total, 41,5% são homens com idade entre 25 a 60 homens e 39,7% são mulheres na mesma faixa etária. Considerando que entre 25 e 60 anos é uma faixa de idade na qual as pessoas já tem filhos em idade escolar e considerando a necessidade de aumentar o número de crianças dentro da escola, o governo federal assinou, em abril desse ano, decreto que autoriza o homeschooling, ou educação domiciliar. Nessa modalidade de ensino, os pais, utilizando-se de metodologias próprias, educam os próprios em casa, fora do ambiente de uma escola.

    Cena 3: do total dos 513 deputados eleitos na última eleição no Brasil, 178 deputados são investigados por crimes diversos e vários deles envolvidos em acusação de corrupção. Esse número corresponde a 30% do total dos deputados eleitos. O atual ministro de justiça apresentou a esse congresso, para a devida apreciação e votação, um pacote anticrime.

    Cena 4: O presidente Bolsonaro escolheu como ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deputada dos Democratas do Mato Grosso do Sul. Conhecida como a "musa do veneno", nos primeiros 40 dias da gestão de Tereza Cristina no ministério foram liberados 54 novos agrotóxicos. A referida deputada recebeu financiamento na sua campanha eleitoral de grandes empresas produtoras de produtos químicos.

    Cena 5: Em um mundo onde se discute a gravidade da exploração sexual da mulher, o presidente brasileiro afirma que se um turista quiser vir ao Brasil para ter relações sexuais com mulheres está tudo bem. O que não pode acontecer são relações homossexuais.

    Cena 6: Em um mundo onde se discute relações de gênero e as novas formatações familiares, a ministra do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirma que as meninas devem se vestir com roupa cor de rosa e os meninos com roupas azuis e se preocupa com o que acontece nos pés de goiaba.

    Cena 7: Com uma taxa de desemprego extremamente elevada, com um empobrecimento do brasileiro aumentando ano a ano, o Brasil apresentando o menor crescimento médio do PIB em 120 anos (isso mesmo, você não leu errado. São 120 anos...), uma capacidade ociosa das empresas por volta dos 40%, o que foi feito a respeito? O horário de verão foi extinto.

    Poderíamos continuar nas cenas 8, 9, 10...

    Diante desse Febeapá, o brasileiro nunca foi tão apático, nunca foi tão alienado como está sendo. O brasileiro não questiona, não enxerga o que está acontecendo. Nos prendemos em discussões inúteis como se a terra é plana ou não, sobre a separação de um ou outro artista de novela... o mundo anda para a frente e nós, estranhamente, estamos andando para trás.

    Stanislaw Ponte Preta nunca foi tão atual.

     

    Quinta, 16 Maio 2019 13:30

    Entra mês, sai mês...

    E as notícias não são boas. Na verdade, são desanimadoras.

    Recentemente o Ministério do Trabalho e Emprego disponibilizou dados do CAGED – Cadastro Geral do Empregados e Desempregados - sobre o nível de emprego para o Brasil, Estados e Municípios.

    Os números não nos dão boas notícias. Pelo contrário, ainda estamos aguardando a tão prometida geração de empregos em função da aprovação da reforma trabalhista de 2017. Ou será que estamos diante de mais uma "história para boi dormir"?

    O que importa é que os números nos mostram que a economia brasileira está devagar, quase parando. O número de desempregados é enorme. Já temos, considerando todos, inclusive os chamados desalentados, cerca de 45 milhões de pessoas sem trabalhar. É um número assustador.

    Vamos olhar com mais atenção o que os números do CAGED nos dizem, tanto no que se refere ao Brasil, a Minas Gerais e a São Gotardo.

    No total, no Brasil, em fevereiro e com relação ao mês anterior, houve um crescimento no nível de emprego em 0,45%. Para Minas Gerais, a variação no mês foi de 0,65% e São Gotardo, acompanhando o número nacional, apresentou uma variação de 0,46% no emprego no mês de fevereiro.

    É muito pouco.

    O setor que apresentou maior variação em São Gotardo, foi o setor de serviços: 1,57%. Em segundo lugar aparece o setor de construção civil: 1,02% - seguido pelo setor agropecuário: 0,70%. Industria de transformação e comércio apresentaram variação negativa, -0,46% e -0,62%, respectivamente, que significa dizer que demitiram mais do que contrataram.

    Resultados pífios...para se ter uma ideia do que esses números representam, tomemos o setor de construção civil. Apresentou uma variação positiva de 1,02%, o que representa a contratação de 7 pessoas e a demissão de 5 gerando um saldo de 2 pessoas. Em termos líquidos, em fevereiro, somente 2 pessoas foram contratadas nesse setor. O setor de serviços, a maior variação, contratou 85 pessoas em fevereiro, porém demitiu 57.

    Para uma melhor ideia do que está acontecendo, em fevereiro de 2018, a variação do emprego para São Gotardo foi de 3,52%.

    Se começarmos a analisar de forma mais detalhada os números para Minas Gerais e para um Brasil como um todo, veremos que se tratam de contextos semelhantes.

    Na verdade, está ocorrendo uma retração da atividade industrial que afeta, direta ou indiretamente, São Gotardo. A indústria brasileira participava, na década de 80%, 20% do PIB, em 2017 participou com 11,8% e em fevereiro de 2019 a queda da atividade industrial foi de -0,2%. O resultado disso é um aumento no número de pessoas que, não conseguindo emprego em outros setores, passam a trabalhar por conta própria. No primeiro trimestre de 2019, de acordo com o IBGE, em relação ao primeiro trimestre de 2018, o crescimento do número de pessoas que trabalham por conta própria foi de 2,8%, somando 24 milhões de pessoas. Portanto, está em curso, nesse momento, uma forte precarização da força de trabalho pela piora das condições de trabalho e a brutal queda nos rendimentos do trabalho. Não é à toa que criaram o termo "uberização" para exemplificar essa precarização da força de trabalho.

    Não há movimento empreendedor que dê conta dessa situação.

    Diante desse quadro perverso de retração econômica, buscamos alguma informação para saber o que se pretende fazer para combater esse desemprego monstruoso e descobrimos que o atual governo federal, até esse momento, não tem nenhuma proposta, concreta ou não, de política para promover o crescimento do emprego. Nada está sendo feito.

    Todo o debate que envolve Brasília está se limitando a uma reforma da previdência que está sendo posta como a panaceia ideal para os nossos problemas. Uma beberagem que basta ser ingerida que todos os nossos males desaparecerão.
    Infelizmente não é verdade.

    A reforma da previdência não irá gerar condições para aumento no nível de investimento do Estado. A economia que é anunciada, 1 trilhão de reais em 10 anos, mesmo que seja verdade, não será revertida em gasto com saúde, educação, saneamento, etc., etc., etc. Será absorvida pelo setor bancário através da imexível política de prioridade de pagamento dos juros da dívida interna.

    Existe aqui uma lógica econômica cruel: se o governo reduz seus gastos a economia se contrai, o governo arrecada menos por causa do desemprego e do endividamento das famílias e, se o governo reduzir ainda mais seus gastos, como por exemplo a reforma da previdência, estaremos apagando fogo com gasolina.

    A solução chega a ser simples. Se queremos acabar com o déficit da previdência, se queremos reduzir esse desemprego perverso, o Brasil precisa crescer e para crescer é necessário um ambiente que seja favorável não só aos empresários como também aos consumidores. É necessário ter emprego, ter renda, consumo e, principalmente, ter confiança no futuro.

    Se não houver um estímulo ao investimento, um estímulo à produção real, de bens e serviços, não haverá emprego, não haverá renda, não haverá consumo e também não haverá confiança no futuro e não adianta dizer que somente após o governo equilibrar suas contas isso acontecerá.

    Simples assim.

    Segunda, 15 Abril 2019 17:30

    E ainda estamos no início do ano!!

    As notícias não estão sendo boas nesse ano de 2019.

    A cada dia que abrimos um jornal ou ligamos uma televisão, ou um site de notícias, levamos um susto.

    Em janeiro assistimos, chocados, ao resultado de mais uma negligência em busca de um lucro fácil e volumoso. Mais uma barragem estourou em Minas Gerais e, não se pode afirmar ser coincidência, mais uma barragem da Vale. É público e notório que a sede por um lucro alto e fácil custou a vida de quase duas centenas de pessoas além das pessoas que ainda estão desaparecidas e é ainda mais público e notório que essa empresa ficara impune, como no caso da barragem em Mariana, por total incapacidade da justiça em se fazer valer. A impunidade será a tônica dessa tragédia. Como em Mariana...

    Perdão, não quero ser injusto. A Justiça será rígida se alguém roubar uma galinha...

    Em fevereiro ficamos novamente chocados com a morte de 10 pessoas na concentração de um clube de futebol no Rio de Janeiro por absoluta falta de responsabilidade dos dirigentes desse clube. Mais uma vez a impunidade irá prevalecer e novamente não haverá punição para os responsáveis por essa gambiarra assassina.

    Perdão novamente. O nosso ladrão de galinha ai de cima será preso e julgado severamente...

    Em março, mais uma tragédia. Dois rapazes entram em uma escola no interior de São Paulo e fuzilam várias pessoas. Resultado: 10 mortos e vários feridos. O que se vê nos noticiários? Especulações de toda ordem e nenhuma proposta ou medida que seria eficaz para evitarmos mais tragédias como essa. Na verdade, quando olhamos para a frente o horizonte é sombrio diante da flexibilização da compra e do porte de armas no Brasil.

    E o governo mineiro, para reduzir despesas, fala em dispensar a segurança nas escolas estaduais.

    O que está acontecendo com o nosso país afinal?

    O tão propalado combate à corrupção parece que virou lenda. A mudança recente de governo está indicando que mudou somente o endereço para onde a propina será enviada. Várias denúncias de corrupção arranham a já tão frágil imagem do governo sem que medidas efetivas para combater a corrupção sejam implantadas. Na verdade, vem acontecendo o contrário já que o que antes era corrupção, como o caixa-dois, já não é mais.

    A economia brasileira continua a piorar. As projeções de crescimento do PIB estão sendo constantemente revisadas só que para baixo. A projeção de cerca de 3% para 2019 hoje está na faixa dos 2%.

    O mercado de trabalho está em franca decadência com uma taxa de desemprego que aumente persistentemente. O nível de renda do trabalhador está estabilizado em torno de R$2.000,00 na média. A reforma trabalhista já se mostrou incapaz, como já dissemos anteriormente, de gerar novos empregos.

    A reforma da previdência, por sua vez, também não irá gerar empregos pela maior capacidade de investimento do Estado. Na verdade, a reforma da previdência não irá dar condições de investimento ao Estado.

    Em 2018 o crescimento do PIB se mostrou igual ao crescimento do PIB em 2017. Ou seja, andamos, andamos e não saímos do lugar.

    A indústria de construção civil e a indústria de transformação não irão crescer o esperado para 2019.

    Todas essas informações acima mostram que a forte retração da economia continuará e nada, nenhuma medida para reverter esse quadro foi sequer anunciada pelo governo atual. Não foi apresentada nenhuma proposta concreta, eficaz, para reduzir o desemprego, para estimular o maior investimento das empresas ou mesmo do governo.

    Não se pode, de forma irresponsável, achar que a reforma da previdência irá gerar esse ambiente favorável aos negócios. Esse é verdadeiramente um conto-da-carochinha como diziam nossos avós.

    Esse ambiente favorável virá quando houver consumo, demanda. Onde as empresas se sintam dispostas a investirem e as pessoas confiantes para consumir. Onde o Estado fará o que deve ser feito, estimulando o consumo privado, combatendo de forma eficaz o desperdício e a corrupção.

    Não podemos mais viver com a ideia de que a crise da previdência ocorre por causa da aposentadoria da Dona Marocas e que somente o ladrão de galinhas será preso e julgado exemplarmente.


    Ó tempora, ó mores...

    Recentemente vi em algum lugar uma pequena charge que mostrava uma conversa entre dois homens. Eles se encontram e um deles pergunta ao outro se está tudo bem, como dois amigos que conversam de forma corriqueira. O outro responde que sim, que está tudo bem. Após um quadrinho onde os dois personagens se olham em silêncio, o que tinha feito a pergunta inicial afirma: "acho bom você se informar melhor".

    É uma charge que mostra uma realidade cruel que estamos vivendo. O fato é que não está tudo bem. O Brasil vive um momento de extrema angústia onde problemas que já eram graves se agravaram ainda mais.

    A economia brasileira, para usar um termo corriqueiro, continua derrapando. Estamos diante de uma grave situação na qual o sistema financeiro drena uma boa parte dos recursos que poderiam ser utilizados como investimento e consumo.

    No Brasil de hoje, 64 milhões de pessoas estão endividadas e sem condições de obter crédito. Inúmeras pequenas empresas estão também endividadas e, portanto, sem condições de investir, de crescer e de gerar empregos. 16% do PIB brasileiro é transferido anualmente das famílias e das empresas para os bancos. O governo federal gasta, por ano, cerca de R$400 bilhões como pagamento dos juros da dívida mobiliária interna.

    A capacidade de arrecadação da União, dos Estados e dos municípios vem caindo em função da retração econômica. O desemprego continua elevado e não dá sinais de queda no médio e longo prazo, apresentando no máximo algumas variações conjunturais de curto prazo. Afinal, é normal que na época do natal o volume das vendas e o nível de emprego cresça pontualmente. Mas se retrai novamente.

    Temos um sistema tributário bastante regressivo, o que significa dizer que aquelas pessoas que ganham menos pagam mais impostos em relação àquelas pessoas que ganham mais. Os bancos, por sua vez, nem se preocupam com isso.

    A crise social e moral é assustadora. Ódio, rancor, preconceitos, são manifestados abertamente e sem nenhum pudor. As redes sociais se tornaram terra de ninguém onde todos falam as maiores atrocidades. Pessoas se divertem vendo as tragédias que marcaram o ínicio desse ano. Mais uma barragem estourou por pura negligência de uma empresa mineradora matando mais de uma centena de pessoas sem contar aquelas que ainda estão desaparecidas e garotos foram queimados vivos em função de mais uma gambiarra feita por alguns dirigentes de um clube de futebol e torcedores faltaram dizer "bem feito"...

    O brasileiro parece que anda anestesiado, vivendo como se conduzidos pelo piloto automático. Estamos andando, não se sabe se para a frente, sem pensar no caminho que estamos seguindo.

    O novo governo que tomou posse no início do ano ainda não mostrou a que veio. Não se sabe o que será feito para que a economia saia dessa crise, uma das mais fortes do nosso período republicano. Fala-se muito de reformas que são necessárias para a retomada do crescimento, mas de fato não existem propostas concretas de políticas fiscais e monetárias voltadas para estimular o crescimento da renda e do emprego.

    O fato é que a tão propalada reforma da previdência não irá estimular o investimento privado.

    O que afeta a decisão de investimento do empresário é venda, é consumo. Se não houver uma expectativa de crescimento de vendas não haverá investimento e isso é sabido por todos e até mesmo, como dizem, pelo mundo mineral.

    Mas como haverá consumo diante de um desemprego absurdo? Como haverá consumo diante de um alto endividamento dos indivíduos? Como haverá consumo diante de um sistema tributário regressivo e uma tabela de imposto de renda há anos sem ser corrigida?

    Como haverá investimento se, sem dinheiro, as pessoas não consomem? O que acontece quando o empresário olha para a frente e não vê um cenário favorável? Como haverá investimento com taxas de juros elevadas?

    E a corrupção? Bem, é melhor mudar de assunto para não passarmos vergonha. Haja laranja...

    O fato é que não está tudo bem.

     

    Terça, 15 Janeiro 2019 11:39

    Estamos cada vez mais crédulos

    Estamos em um momento em que muita coisa é dita e, no entanto, nada é dito de fato. O que isso significa? Que, apesar da facilidade de acesso a tecnologias de transmissão de informação principalmente através do celular e do volume de informações que recebemos diariamente, se formos colocar em uma balança aquilo que realmente é verdade e que merece crédito, ficaríamos chocados. Ou já estamos chocados?

    As notícias fluem com uma velocidade espantosa e são negadas também com uma velocidade espantosa. Somos metralhados diuturnamente com uma incrível quantidade de notícias, fatos, casos, mensagens, fotos, vídeos e por causa disso percebemos que atualmente todo mundo fala sobre tudo, opina sobre tudo, compartilhando todas as mensagens de tal maneira que chegamos a receber uma mesma mensagem de várias pessoas diferentes e isso em pouquíssimo período de tempo.

    Até aí não se pode afirmar que isso é um problema e mesmo poderia ser dito que é até bom já que o conhecimento, hoje, se tornou uma mercadoria bastante valiosa.

    Na verdade, a questão não é o volume de informação e sim a veracidade delas.

    Coisas absurdas são enviadas diariamente. Ovos de plástico, cavalo com asas, kit-gay, pé de goiaba, terra plana, homem na lua, naftalina no tanque de gasolina e por aí vai. Se formos listar todos esses absurdos teríamos um problema de falta de espaço.

    Alguém poderia dizer: mas se tem muita notícia falsa, ninguém precisa acreditar nelas. Mas aí que está o grande problema. Estamos vivendo um momento em que tudo o que se diz se torna uma verdade absoluta e isso em questão de minutos. As pessoas gastam tempo compartilhando as mentiras, mas não tem tempo para verificar se é verdade ou não. Acreditam piamente naquilo que recebem e compartilham, indignadas, revoltadas com o que leem. E o pior é que constroem julgamentos baseados nas mentiras que estão lendo. Julgam, condenam, opinam, esbravejam e mesmo chegam a ofender.

    Esse momento absurdo que vivemos me fez lembrar de um personagem criado pelo escritor e cronista Luis Fernando Veríssimo no final dos anos 70 ainda durante o regime militar. A personagem, a velhinha de Taubaté era conhecida como a última pessoa no país que ainda acredita no governo, nos anúncios do governo, nas notas de esclarecimento emitidas pelo governo, e, como nos diz Veríssimo, acredita até nos ministros...

    A importância da velhinha de Taubaté era enorme de tal maneira que a opinião dela se tornou mais importante que a opinião pública de tal forma que a saúde dela se tornou uma questão de segurança nacional já que, se ela morresse ou mesmo deixasse de acreditar no que era dito pelo governo, teríamos o caos instalado no Brasil.

    Se ela não acreditasse mais, o que restaria?

    Em 2005, a velhinha de Taubaté morreu, sentada diante da televisão, talvez chocada com alguma notícia, em pleno escândalo do mensalão, de triste memória.

    Mas, o que tem essa boa velhinha com os tempos atuais?

    2018 foi um ano no qual dois fatos importantes mostram o quanto somos, ou estamos, crédulos. No início do ano, a famigerada greve dos caminhoneiros e no segundo semestre a campanha eleitoral. Durante a greve, absurdos foram ditos, foram divulgados. Foi criado um estado de pânico no país como um todo e dois fatos ficaram explícitos. Primeiro, o desinteresse ou a incapacidade das autoridades policiais para combater essa difusão criminosa de informações falsas e segundo, a grande maioria das pessoas acreditava piamente no que liam. E ainda juravam de pés juntos que era verdade.

    Ao longo do processo eleitoral o mesmo fato se deu. Notícias falsas forma espalhadas de forma irresponsável com o claro objetivo de manipular a opinião pública em sua decisão na hora do voto que, infelizmente, deixou de ser soberana. As pessoas escolheram candidatos e rejeitaram outros baseadas em notícias que recebiam através das redes sociais, sem se preocuparem em verificar a verdade do que liam.

    O que as pessoas estão lendo se torna verdade acriticamente. Acreditamos em tudo que lemos e assistimos, sem nos preocuparmos em pensar criticamente. Julgamos e condenamos com uma certeza assustadora.

    A velhinha de Taubaté está mais viva do que nunca.

     

    O ano de 2018 terminou e até esse momento não sei se é uma notícia boa ou ruim. Uma coisa é certa. 2018 foi um ano difícil sob vários aspectos.

    Foi um ano conturbado tanto em termos econômicos, políticos, cultural e também, por que não, esportivo, afinal, a seleção brasileira foi um fiasco e o meu Galo não fez um ano muito bom.

    A economia brasileira vem patinando desde 2016. Os indicadores macroeconômicos são desanimadores. A taxa de desemprego, apesar de pequenas variações tanto para cima quanto para baixo, não dá mostra de ser reduzida de forma significativa. No Brasil, nesse momento, temos algo em torno de 13 milhões de pessoas desempregadas. Essas são as que estão procurando emprego e se considerarmos aquelas pessoas que não tem emprego e que pararam de procurar por um, atingimos a cifra de absurdos 65 milhões de pessoas. É um número assustador.

    A taxa de crescimento do PIB nesse ano de 2018 deve girar em torno de 1% e se considerarmos a evolução dos níveis de preços é possível que tenhamos crescimento negativo. As projeções para 2019 também não são muito animadoras.

    Em 2019 a famigerada PEC dos gastos continuará a fazer seus efeitos perversos. Para quem não se lembra, essa emenda constitucional congelou os gastos públicos com saúde, educação, saneamento básico, segurança além de outras áreas, por 20 anos. Isso significa dizer que voltaremos a ver filas nas portas das escolas públicas em busca de uma vaga, nos postos de saúde em busca de um atendimento cada vez mais precário, agravado agora pela saída dos médicos cubanos e pelo fato de que os médicos brasileiros, ao que tudo indica, não irão suprir essa carência, a segurança pública sofrerá com o desmantelamento do pouco que já existe, o saneamento básico será atingido.

    Ou seja, grande parte da população brasileira será brutalmente atingida por esse corte dos gastos e, o que é mais desanimador, é saber que serão medidas inócuas para equacionar o déficit público.

    Em termos políticos estamos diante de um impasse. Não se sabe o que será feito pelo próximo governo para reduzir esse enorme desemprego e o visível empobrecimento da população. Nada foi dito na campanha eleitoral e nada está sendo dito após a campanha. Nenhuma medida, das poucas anunciadas, trará qualquer melhora na taxa de crescimento já que é sabido que políticas de austeridade são ineficazes para estimular o crescimento econômico.

    O combate à corrupção parece que virou lenda diante dos inúmeros casos que continuam aparecendo e diante da total inoperância das ações do ministério público e das polícias e do fato de que vários ministros indicados pelo presidente eleito estão seriamente envolvidos em negociatas.

    A classe política, após o encerramento das eleições, se viu ainda mais desvalorizada. A taxa de renovação tanto no nível federal quanto nos estados foi muito pequena. Políticos envolvidos em escândalos de corrupção, salvo algumas exceções, foram reeleitos o que nos leva a questionar a qualidade do voto dado pelos eleitores.

    Seria a lógica do vamos deixar do jeito que está para ver como que fica funcionando?

    Ou seria a lógica do que nada está tão ruim que não possa piorar mostrando sua cara?

    O fato é que 2019 começa com um leque enorme de incerteza e expectativas negativas. O Brasil vem perdendo espaço em termos de política internacional e algumas medidas anunciadas pela próxima equipe de governo se tornam preocupantes.

    Um exemplo é o anúncio da mudança da embaixada brasileira para Jerusalém. Algo que é, a princípio, um fato político pode gerar constrangimentos econômicos considerando que um grande consumidor de carne de frango brasileira são os povos do mundo árabe que não se mostraram nada satisfeitos com essa mudança da embaixada. O que aconteceria se os países árabes deixassem de comprar ave brasileira e passassem a comprar ave, por exemplo, da Rússia? Esse é só um exemplo de como todos os fatos são interligados e nada pode ser analisado isoladamente.

    Muitas são as perguntas soltas no ar e assustadora é a falta de respostas.

     

    Quinta, 15 Novembro 2018 11:24

    Uma fábula chamada Brasil.

    Encerradas as eleições e escolhido um presidente e depois de um processo eleitoral desgastante diante de todos os percalços encontrados como as notícias falsas, ou, para ficarmos antenados aos nossos tempos, as fake news, diante de todas as desavenças, todas as brigas e dissabores que marcaram as eleições brasileiras, vamos relaxar um pouco e falaremos de um grande contador de histórias que a humanidade produziu.

    Estamos falando de Esopo, grego, nascido no século VI a.C., figura quase lendária que nos deixou várias fábulas, algumas muito conhecidas como a da cigarra e a formiga, a lebre e a tartaruga, o leão e o rato e várias outras, algumas não muito conhecidas, mas bem interessantes que hoje, pleno século XXI, diante de tanta tecnologia, ainda assustam por sua capacidade de ser adaptada a nosso tempo.

    Uma delas trata das rãs que queriam um rei.

    Uma fábula curta, mas, se lida com atenção, pode nos dizer muita coisa. Ele nos conta a história de um grupo de rãs que viviam em um lago onde imperava uma grande anarquia. Cansadas e irritadas do caos, desejando mudanças, enviaram uma delegação a Zeus e dele exigiram um rei que pudesse organizar a vida no lago acabando com a bagunça e todo desgoverno da lagoa.

    Zeus, como nos diz Esopo, achando as rãs ingênuas, jogou um pedaço de madeira na água e disse a elas que esse pedaço de madeira era o novo rei. As rãs, de início assustadas, nadaram para o fundo da lagoa e, percebendo que a madeira permanecia imóvel, flutuando na água, perderam o medo e começaram a zombar do novo soberano ao ponto de montarem em suas costas e por lá ficarem.

    Ainda mais irritadas e se sentindo enganadas por Zeus a ele voltaram e pediram outro rei só que, diferente do atual, mais enérgico e o deus, atendendo ao novo pedido, envia não outro pedaço de madeira, mas uma hidra para ser o novo rei das insatisfeitas rãs.

    Um pequeno parêntese aqui. Hidra é uma figura da mitologia grega, um monstro que possui corpo de dragão e várias cabeças de serpente. A mais famosa delas é a hidra que habitava o lago de Lerna, na Grécia.

    Fechado o parêntese e voltando à nossa história, a hidra, ao assumir o posto de novo rei da lagoa, como era de sua natureza, avançou sobre as rãs e as devorou.

    Qual o sentido, ou, qual a moral que está por trás dessa fábula? O que é melhor para uma sociedade, um governante que traga sustentação para essa sociedade, mesmo que lento como um pedaço de madeira flutuando placidamente na água ou um governante enérgico, mas que dissemina o terror na sociedade?

    Essa foi a questão que envolveu e ainda envolve todo o processo eleitoral e mostra o rosto atual da sociedade brasileira. Qual o tipo de sociedade que precisamos? Qual o tipo de governante que precisamos? Alguém que transmita à sociedade tranquilidade para encararmos nossos gravíssimos problemas ou alguém que nos traga medo e incertezas?

    Foi feita uma escolha pela sociedade e como essa escolha foi feita através de um processo legítimo e democrático, a decisão deve ser respeitada. No entanto, o que nos espera? Teremos um pedaço de madeira ou uma hidra que irá sentar na cadeira presidencial? É através do terror, do medo, que resolveremos nossos problemas?

    Não creio.

    Devemos, isso sim, debater, colocar para a sociedade todos os nossos problemas, buscar soluções através do envolvimento de todos os setores da sociedade e para isso todas as propostas deveriam ter sido colocadas na mesa. Porém, infelizmente, como o processo eleitoral transcorreu sem debate de ideias, sem sabermos o que foi proposto a nós pelos próximos quatro anos, como decidir?

    Após as eleições, algumas medidas estão sendo anunciadas, todas a conta-gotas. Redução das alíquotas de importações, utilização das reservas cambiais para pagamento de dívida, críticas à prova do Enem, dentre outras. São medidas benéficas ou não? O que está sendo debatido? Esse é um ponto importante. Todas elas anunciadas após o encerramento das eleições. Por que não antes? Por que essas medidas não foram apresentadas durante as eleições para que a sociedade se envolvesse nessa decisão? Afinal, se trata do nosso futuro e isso é muito importante.

    Do que precisamos? Um pedaço de madeira ou uma hidra?

     

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