Quando essas linhas forem publicadas já saberemos quem será o nosso presidente para os próximos quatro anos.
Passamos por um mês de outubro que foi extremamente desgastante, tenho certeza, para todos nós. A campanha eleitoral foi marcada por um uso agressivo de notícias falsas, as fakes news, usadas em larga escala sem que a justiça obtivesse um êxito concreto do seu controle e da punição às pessoas envolvidas.
Pedofilia, tiros, assassinatos, agressões a religiosos, uma narrativa intensa voltada para o lado religioso, satanismo, maçonaria, assédio eleitoral, etc, etc, etc. Um extenso rol de notícias que tirou do foco as necessidades reais da economia brasileira.
O fato é que o Brasil precisa rever suas prioridades. A economia brasileira precisa redefinir seus rumos diante de uma encruzilhada que vem se abrindo diante de todos nós nos últimos seis anos.
Afinal, o que queremos? Emprego? Renda? Salários dignos? Ou queremos mais violência, mais agressões e mais de uma brutal transferência de renda para o mercado financeiro que controla e determina os rumos atuais de nossa economia?
Qual é, portanto, o fim último da economia senão o bem estar do ser humano?
Não podemos mais conviver com a fome em um país que tem capacidade de matar a fome de todo o planeta. Não podemos mais continuar desmatando indiscriminadamente nossas florestas, comprometendo a nossa própria sobrevivência futura.
Nas semanas finais do mês de outubro foi amplamente divulgado planos vindos do Ministério da Economia que visam desindexar o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias, abrindo a possibilidade de reajustes abaixo da inflação, jogando algo próximo a 80 milhões de brasileiros em situações de penúria, planos esses que tem como objetivo controlar os gastos públicos.
Mas não podemos esquecer que somente no mês do outubro, como forma de estímulo ao voto, o governo federal gastou algo próximo a 70 bilhões de reais em pacotes de “bondades” que, em tese, estimulariam o voto de alguns eleitores e para tornar a notícia ainda mais grava, somente esse ano foram despejados algo em torno de 273 bilhões na economia brasileira.
Uma coisa é certa. Esse gasto exagerado do governo federal com objetivos puramente eleitoreiros irá mandar a conta em muito pouco tempo.
O rombo desses 273 bilhões deverá ser coberto de alguma forma já que a economia não é algo milagroso e daí se entende o porquê da desindexação do salário mínimo e das aposentadorias. Acharam que vai pagar a conta.
A inflação persiste. O desemprego persiste. A fome continua trazendo dor e angústia. A tão propalada redução do preço da gasolina já tem data para terminar. Em alguns Estados brasileiro o preço dos combustíveis já está começando a subir novamente.
O elevado grau de endividamento dos brasileiros e, como consequência, o alto nível de inadimplência compromete brutalmente a capacidade de consumo do brasileiro.
Diante disso tudo, a única pergunta é: o que fazer?
Estamos em uma encruzilhada e não podemos continuar mais dessa forma.
Quando essas linhas vierem a público já saberemos os resultados do processo eleitoral que se desenrola no Brasil. Saberemos quem serão nossos próximos representantes na câmara federal, estadual e no Senado.
Saberemos também quais foram os governadores eleitos, em alguns Estados talvez já no primeiro turno. Em outros, poderemos ter um segundo turno.
Saberemos também o que aconteceu com a eleição para Presidente da República, o cargo que provoca mais interesse de todos. Por questões óbvias.
Mas, mais importante do que sabermos quem foi eleito e quem não foi, é que todos nós entendamos a importância desse ato que muitos acham, infelizmente, que não tem nenhuma importância. Afinal, quem já não escutou alguém dizer, com o peito inflado de orgulho, que detesta política, que não gosta de política, que político é tudo igual.
Esse é o grande erro do brasileiro!
Afinal, não adianta reclamar que não gosta de política, que não gosta de político, que o dia das eleições é visto como um momento para viajar. Reclamar que político é tudo igual, que todos roubam, que são todos ladrões se tornam palavras ao vento sem que nada façamos para mudar nossa percepção da realidade.
Não adianta reclamar por um motivo muito simples e que muitos não entendem ou não querem entender. Uma pessoa se torna um representante não por vontade divina ou vontade demoníaca. Uma pessoa se torna um representante do povo através do VOTO e esse voto é dado por todos nós, inclusive por aqueles que dizem, orgulhosos, que detestam política e por isso votam de forma inconsequente.
Se não queremos um político corrupto que façamos nossas escolhas com coerência. Com justiça e não por interesses espúrios. Não baseado em fofocas recebidas em redes sociais e sim pela compreensão das propostas de cada um.
Na escolha que devemos fazer temos que pensar em quais são nossos principais problemas e como eles foram causados ou ampliados. Desemprego! Fome! Violência! Corrupção! Pobreza! São muitos, infelizmente.
Quais são as propostas colocadas na mesa? É fato que o desemprego aumentou nos últimos 3 anos. É fato que nos últimos 3 anos, 33 milhões de pessoas vão dormir todas as noites sem saber o que vão comer no dia seguinte. A violência é cada vez maior e pessoas, agora armadas, agridem e matam por questões mínimas. Se é que existe uma questão que justifica a morte de outra pessoa!
É fato que a atual política econômica fracassou completamente. Uma enorme e brutal concentração de renda, salários cada vez menores, desemprego, fome, inflação. E aqui cabe uma pergunta. Por quê insistir em medidas que comprovadamente se mostraram e se mostram falhas?
Como mudar isso? Ora, muitos dirão que esse não é um problema deles. Que o que precisam fazer e continuar a trabalhar e pagar seus boletos. E enfiam a cabeça na terra como dizem que os avestruzes fazem.
E é exatamente por enfiarem a cabeça nesse buraco que é esse mundo isolado da realidade que os descalabros políticos acontecem. Afinal, se sou político e ninguém se preocupa com o que faço, a corrupção se torna uma isca tentadoramente fácil. E de corrupção não estou dizendo que é ato exclusivo da classe política. Se existe um corrupto existe um corruptor e esse geralmente vem da iniciativa privada buscando, espertamente, garantir seus interesses privados.
Se continuarmos com a cabeça enfiada em um buraco, adiantará alguma coisa gritar aos quatro ventos que odeia política? Gritar a esses quatro ventos que se recusam a escutar é um ato político. Não fazer nada também é um ato político. Depois não adianta reclamar pois a Inês já faleceu.
Não saímos de casa sem agir politicamente. Não trabalhamos sem agir politicamente. Não vivemos, não namoramos, não nos divertimos sem agir politicamente.
Sentar na porta de casa para falar mal dos vizinhos é um ato político.
Política é isso. Viver em comunidade é um ato político.
Não há como evitar.
Um novo ano se inicia e, como sempre acontece, com muitas esperanças que velhos problemas se resolvam e que possamos ter um ano de 2023 tranquilo, sem sobressaltos e nem sustos.
2022, o ano que se encerrou é daqueles anos que todos queríamos que nem tivesse começado. Um ano que trouxe muito stress, muita preocupação e muito desânimo.
Talvez algumas pessoas possam discordar da minha opinião considerando que, e isso é um fato, a crise econômica não atinge a todos do mesmo modo e isso é um fato concreto.
Se de um lado temos milhares de pessoas procurando emprego sem nenhum tipo de renda que não as várias formas de ajuda assistencial estatais, se temos cerca de 60 milhões de pessoas jogadas na linha de pobreza com salários insuficientes para garantir a sobrevivência do trabalhador e de toda a sua família, de outro lado temos alguns milhares que se enriquecem, que concentram renda, que acumulam capital e que justificam seu enriquecimento em uma crise por uma simples questão de mérito.
É esse o Brasil que temos. Uma grande parte da população que vive e sobrevive com salários insuficientes para comprar mesmo que seja uma cesta básica e outra parte, essa pequena, acumulando renda advinda de ganhos financeiros e especulativos, aquela velha história de ganhar sem trabalhar. Afinal, estamos falando de um trabalho improdutivo!
O governo eleito, que tomou posse no início do ano, terá como grande desafio reduzir essa enorme defasagem de renda, a enorme diferença entre o menor salário pago e o maior salário pago, diferença essa que chega a absurdos 400 vezes mais.
Não é possível que um país consiga crescer, consiga se desenvolver com essa diferença salarial absurda.
Talvez alguns perguntem se para resolver isso teríamos que reduzir os salários mais elevados colocando aqui uma crítica a esse argumento, mas poderíamos replicar que não é nivelando por baixo que resolveríamos situações como essa.
Temos que entender que a geração de renda em uma economia é fundamental para que essa economia consiga crescer, consiga se reproduzir e consiga garantir condições materiais dignas de vida. Salário para muitos é custo, mas para muitos é receita. Salário para muitos é condição de consumo, de sobrevivência e não podemos mais viver em um ambiente no qual o empresário achata brutalmente os salários pagos a seus funcionários e ao mesmo tempo critica o baixo volume de vendas.
Temos todos que entender que essas duas variáveis, salário e consumo, ou para melhor generalizar, renda e consumo, estão diretamente interligadas.
Salários menores implicam em baixa capacidade de consumo e mesmo que se diga que pessoas que ganham baixos salários gastam a totalidade de seu salário em consumo, o impacto dessa lógica é reduzido exatamente por ser um baixo salário.
Além do mais, baixos salários geram consumo, mas não geram poupança e é exatamente a capacidade de geração de poupança da sociedade que permite gerar capacidade de investimento privado. É uma lógica simples.
Esse é o grande desafio do novo governo. Gerar crescimento, gerar consumo, gerar poupança e, portanto, tornar o crescimento auto sustentado pela sua própria lógica.
Um feliz ano de 2023 a todos e que o título desse artigo não seja simplesmente retórico.
Estamos curtindo a ressaca do carnaval.
Para muitos, é o ponto de partida do ano de 2020. Várias pessoas argumentam que o ano começa somente após o carnaval, quando os brasileiros, cansados das festas do final do ano, férias no mês de janeiro e o carnaval, resolvem tirar a fantasia e, finalmente (ufa!!!!), ir trabalhar.
Muitos criticam o carnaval. Alguns, por questões religiosas, argumentam que essa festa é pagã e não deveria acontecer pois afasta as pessoas da religião. Muitos aproveitam esse período e procuram retiros religiosos.
Existem pessoas que não gostam. Preferem o sossego, a calma, onde podem curtir sua casa, um bom livro, músicas boas, longe da bagunça e do barulho que caracterizam o carnaval.
Existem também aqueles que consideram o carnaval como uma fonte de alienação, algo como panem et circenses, pão e circo, no bom estilo de uma sátira de Juvenal que denunciava que o império romano usava o pão e o circo como forma de manter afastados aqueles mais críticos de sua política. A ideia por traz desse argumento é que, à medida que o governo dá ao povo pão, alimento, e circo, a diversão, a população deixaria de ter uma visão crítica das ações dos governantes.
Talvez essa lógica de dar o pão fosse funcional no império romano quando o governo dava pão ao povo e dava também a diversão através dos jogos que aconteciam principalmente no Coliseu, em Roma. Dessa forma, mantinha o povo afastado e ainda por cima manipulava as informações.
Voltemos ao Brasil. Seria o carnaval um exemplo claro de pão e circo? Creio que não. Afinal, em primeiro lugar, não há pão e nessa crise ele vem sumindo rapidamente e diante da alta do câmbio, do dólar, vem também subindo de preço.
O carnaval seria, então, uma fonte de manipulação das informações e de alienação do povo brasileiro? Só se considerarmos que o carnaval começa no dia primeiro de janeiro e termina no último dia do ano.
Vivemos em um país onde as informações são manipuladas diuturnamente e, diante da alienação assustadora dos brasileiros, essa manipulação assume patamares também assustadores. Afinal, não tivemos a eleição de um presidente baseada na livre circulação e distribuição de fake news? Não é assustador ver como o brasileiro acreditou e acredita em informações malucas como kit gay nas bibliotecas das escolas, mamadeiras com bicos estranhos e outros absurdos mais?
Para entender a alienação do brasileiro e a facilidade de manipulação das informações, teríamos que discutir a péssima qualidade da educação no Brasil, o papel perverso da imprensa e a falta de visão crítica do brasileiro em relação a tudo que vem acontecendo no nosso país.
O carnaval é, sim, uma festa popular e pode e é usado como uma fonte de críticas sociais. Através da música, através do comportamento, são feitas críticas aos nossos problemas sociais, às nossas dificuldades e às nossas limitações.
Em termos econômicos, essa festa popular é ansiosamente aguardada.
Em 2018, por exemplo, o carnaval movimentou algo próximo a um bilhão de reais na cidade do Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, também em 2018, somente o gasto direto, nas ruas, dos foliões movimentou, apenas nos dias da festa, um valor próximo de 350 milhões de reais, sem contar a movimentação na rede hoteleira, taxis, bares, restaurantes e vários outros tipos de gastos. Era previsto 5 milhões de pessoas nas ruas da capital para o carnaval desse ano. 5 milhões de consumidores gastando dinheiro! Aquele que defender o fim do carnaval nessas cidades, por exemplo, será imediatamente apedrejado.
Essa dinâmica econômica provocada pelo carnaval, definida tecnicamente como efeito multiplicador da renda, é a mesma dinâmica provocada pelo Natal, pelo dia das crianças, pela páscoa e vários outros momentos no nosso dia a dia e, no entanto, ao carnaval são dirigidas as maiores críticas.
Alguns gritam que, enquanto as pessoas brincam nas ruas, os políticos aproveitam para aprovar leis que nitidamente prejudicam a população. Ora, a reforma da previdência foi aprovada no carnaval? A reforma trabalhista foi aprovada no carnaval? A resposta é não, como todos nós sabemos.
Essas duas reformas (?), somente a título de exemplo, prejudicaram e irão prejudicar muito mais ainda os brasileiros e qual é a reação de boa parte da população senão indiferença e desinformação? Tenho certeza que se formos às ruas muitos brasileiros nem sabem o nome do prefeito das suas cidades e muito menos conseguem enxergar criticamente a nossa realidade social.
Não é o carnaval o pão e não é o carnaval o circo. Esse papel cabe à televisão que assistimos sentados no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes.
O ano de 2020 começou...
Se bem que, na verdade, como todo ano, só começará de fato depois do carnaval. Não tivemos, ainda bem, tragédias como aquelas que aconteceram no início do ano passado, em Brumadinho e no campo de treinamento do Flamengo no Rio de Janeiro, mas a chuva já deixou sua marca.
Como todo início de ano, e isso se repete desde sempre, as chuvas trouxeram medo, angústias, dores e mesmo mortes. Nada é feito diante dessa tragédia anunciada. Afinal, até as pedras sabem que as chuvas provocam estragos nos finais e inicios de ano, mas nada, absolutamente nada é feito.
Há uma total incapacidade dos Estados e municípios em realizar obras que poderiam, talvez, reduzir as consequências dessas chuvas. As razões para essa incapacidade são várias: falta de vontade política (afinal, alguém disse no passado que cano de esgoto debaixo da terra não traz votos...), falta de recursos financeiros por parte dos Estados e principalmente dos municípios, falta de educação por parte dos moradores das regiões atingidas pelas enchentes que, mesmo sabendo das consequências funestas, continuam jogando lixo nos córregos, nos rios, nas ruas. Falo de lixo, mas é comum nos depararmos com sofás, geladeiras, fogões, cadeiras, nas beiradas dos córregos.
Além do mais, o excesso de asfalto nas cidades impede a absorção das águas de chuva e todo mundo sabe que a água tem que ir para algum lugar. Tem que escorrer. Agora, se as bocas de lobo estão entupidas de lixo, essa água tem que ir para algum lugar. Vai para onde então? Para dentro das casas, lojas, levam os carros e, infelizmente, as pessoas. A verdadeira crônica de uma tragédia anunciada.
No que se trata da falta de recursos financeiros dos municípios, fato que impede que obras que são necessárias para conter a força dessas águas, teremos que discutir a questão do federalismo no Brasil e a forma como os recursos tributários são arrecadas e distribuídos.
Nesse ano de 2020, tudo indica que o governo federal irá concentrar suas forças na aprovação da reforma tributária. Já foram aprovadas a reforma trabalhista, previdenciária e agora restam as reformas administrativas e tributária. Dá até medo do que vem aí...
Iremos discutir essa questão da reforma tributária mais na frente, mas uma característica da atual estrutura tributária no Brasil é a forte concentração dos recursos tributários nas mãos do governo federal fato esse que gera uma forte limitação da capacidade de arrecadação e gastos dos Estados e principalmente dos municípios e uma das muitas necessidades que devem ser supridas por uma reforma tributária seria exatamente dotar os municípios de maior capacidade arrecadatória e decisões de gasto. Isso não implica, deixo claro aqui, que novos impostos devem ser criados e que teríamos sim que rediscutir a forma como o pacto federativo está ordenado no Brasil.
Além desses problemas gerados pelas chuvas, que se repetem, o ano começou do jeito que terminou, ou seja, aumentando a lista do nosso festival de besteira, se bem que nesse caso não é somente uma besteira e sim algo bastante preocupante.
O hoje ex-secretário da Cultura colocou no ar um vídeo onde ele anunciava algumas políticas de incentivo à cultura nacional. Não vem ao caso aqui explicitarmos essa política e sim como foi feito esse anúncio.
Infelizmente, foi algo bastante assustador em pleno século XXI. O vídeo fazia ligações explícitas às políticas nacionalistas do Terceiro Reich, ou seja, políticas nazistas. O texto lido pelo secretário foi um plágio mal feito de um discurso feito na Alemanha pelo ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels.
Não podemos permitir que, no Brasil, em pleno século XXI, isso aconteça. O nazismo alemão foi uma das páginas mais aterradoras da civilização humana. A barbárie e a crueldade levadas a cabo na Alemanha no século passado não podem e não devem, e digo isso de forma categórica, voltar a nos assombrar, nem que seja por brincadeira (de muito mal gosto) ou de forma não intencional (essa foi a desculpa dada pelo secretário da cultura que, felizmente, ninguém acreditou). Ainda bem que esse indivíduo foi exonerado.
A sociedade brasileira não pode admitir fatos como esse.
Nós, brasileiros, temos que discutir ao longo desse ano, uma série de problemas que são gravíssimos. O desemprego, a baixa atividade econômica, a violência, a questão da educação, saúde, saneamento básico, o abandono sofrido pelos brasileiros na sua condição básica de sobrevivência. O tão anunciado crescimento econômico do final do ano passado, tão festejado pela mídia, não se verifica. A renda do trabalhador está declinando rapidamente, o mercado de trabalho se precariza também rapidamente.
São muito os problemas, enfim e queremos ver implantadas políticas capazes de equacioná-los e não podemos, sob hipótese alguma, admitir que essa barbárie nazista se torne um discurso aceitável no Brasil
De forma alguma!!!!
Começamos um novo ano.
Depois das festas, onde todos nós nos congratulamos, desejamos uns aos outros um ano novo repleto de paz, felicidades, saúde, corro o risco de parecer um desmancha-prazeres, alguém que deseja sempre o pior.
Por que?
O que nos espera 2020 afinal? É claro que desejo a todos nós muita paz e muita saúde, mas, pensando em termos de sociedade, de economia, pensando em termos macro, não vejo muitos motivos para nos alegrarmos.
Começamos o ano de 2020 como terminamos 2019, ou seja, assustados com o Festival de Besteira que Assola o País, nosso FEBEAPÁ, que devemos tanto a Stanislaw Ponte Preta, heteronômio de Sérgio Porto.
Terminamos o ano escutando do presidente da FUNARTE (Fundação Nacional das Artes) que o rock se associa ao satanismo, estimula o aborto e que um famoso grupo de rock dos anos 60 fez parte de um movimento amplo de implantação do socialismo no mundo sob o apoio irrestrito da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviética.
É um direito que ele tem de não gostar de rock, assim como não gosto de alguns gêneros musicais, mas não associo essa atual sofrência que escutamos a nenhum tipo de raciocínio demente.
Voltamos aos anos 40 e 50 quando do surgimento do rock que afetou significativamente o padrão cultural do mundo?
Muitos podem questionar que basta ignorar a fala desse cidadão, mas não é bem assim. Ele preside uma fundação cujo propósito é estimular as artes no Brasil e, portanto, devemos nos preocupar com quais estímulos às artes serão desenvolvidos em um contexto como esse.
Mais uma pérola para nosso FEBEAPÁ. O atual presidente da Fundação Palmares, fundação essa criada para a preservação da cultura negra, afirmou recentemente que não há racismo real no Brasil e que, "a negrada daqui reclama porque é imbecil". Afirmou também que a escravidão foi benéfica aos descendentes dos escravos porque deu a eles melhores condições de vida do que se ainda vivessem na África além de outras coisas. Ah, para que fique bem entendido o sentido disso tudo, essa pessoa é negra.
É tão absurdo tudo isso que deixa de ser somente uma besteira e se torna um crime e ainda bem que a justiça impediu a nomeação dessa pessoa.
O que mais nos espera nesse ano que está começando?
Em termos econômicos, também não vejo nenhum motivo para ficar animado. Apesar dos últimos números do IBGE, que mostrou um crescimento do PIB no trimestre que terminou em setembro, não é possível afirmar que esse crescimento ínfimo do PIB (0,6%) seja permanente e sim somente conjuntural diante da liberação de recursos do FGTS e da sazonalidade já tradicional do final de ano.
Esse pequeno crescimento foi puxado pelo setor agrícola e farmacêutico. No entanto, quando olhamos para os números da indústria de transformação, veremos que houve uma queda de 1% na sua atividade. Diante da característica dessa indústria em produzir produtos mais intensivos em tecnologia e diante da sua forte interligação com outros setores, não há como afirmar que esse crescimento se sustentará. E além do mais, o IBGE reconheceu um erro na apuração dos dados referentes às exportações. Errou para cima o que significa que essa variação do PIB poderá ser menor.
Por sua vez, o mercado de trabalho continua paralisado.
De acordo com o IBGE, o crescimento do emprego foi, estatisticamente, insignificante. Apenas 0,1%. O número de desempregados atinge o valor de 12 milhões de pessoas. Se somarmos a esse número, a quantidade de pessoas que vivem de "bico", a quantidade de pessoas chamadas de "desalentadas", ou seja, que perderam a esperança de voltarem ao mercado de trabalho, teremos um resultado próximo de 43 milhões de pessoas. É assustador!
Além disso, o rendimento médio do trabalhador caiu 1% se compararmos com outubro de 2018.
A reforma trabalhista não só não gerou novos empregos como estimulou a rápida precarização do mercado de trabalho. Aumenta rapidamente o número de trabalhadores autônomos, por conta própria, sem carteira assinada, fora de qualquer política de proteção social e considerando a "carteira de trabalho verde e amarela", a tendência de precarização tenderá a aumentar e tenderá a cair ainda mais o rendimento médio do trabalhador.
A lógica é simples: sem renda, não há consumo. Sem consumo não há vendas. Sem vendas não há emprego. Sem emprego não há renda. Sem renda não há consumo...
E sem governo não há crescimento econômico. Não existe, na história econômica mundial, recente ou não, nenhum caso de crescimento econômico de algum país que tenha sido puxado pela iniciativa privada. O Estado deve, e isso nos mostra a história, puxar o crescimento apesar de todo o discurso ideológico da ineficiência do Estado. E o Estado brasileiro vem perdendo sistematicamente sua capacidade de intervenção na atividade econômica.
Apesar de tudo, desejo a todos um ótimo ano de 2020 e desejo a mim mesmo que eu esteja errado.
Um escritor estadunidense, Washington Irving, nascido em 1783 e falecido em 1859, escreveu um pequeno conto chamado Rip Van Winkle que, mesmo se tratando de um outro país e de uma outra realidade, expressa bem o que vem acontecendo em nosso Brasil.
Vou explicar melhor.
Rip Van Winkle, o personagem que dá nome ao conto, era um caçador que vivia no Estado de Nova York, às margens do rio Hudson. Rip, casado e com dois filhos, vivia em atritos com sua mulher já que não gostava muito de trabalhar e por isso sua esposa vivia criticando, reclamando que tinha que fazer tudo sozinho, que o marido não a ajudava a cuidar da casa, dos filhos, não queria saber de trabalhar e por aí vai...
Um belo dia a discussão tinha sido muito forte e Rip, chateado, saiu de casa e foi para uma taverna chamada Rei George III.
Um detalhe: na época na qual o conto se inicia, os Estados Unidos ainda eram uma colônia britânica e servos do Rei George III.
Continuando a história, já no bar, a esposa de Rip continua a reclamar e, por causa disso, Rip vai embora com seu cachorro, sobe uma montanha e chegando lá em cima, cansado, deitou ao pé de uma árvore e dormiu.
Quando acorda no dia seguinte começa a achar tudo bem estranho à sua volta. O mato estava mais crescido, sua arma, nova quando ele subiu a montanha, estava velha e estragada, sua roupa rasgada e sua barba bem mais longa e grisalha. Seu cachorro havia sumido.
Ele desce a montanha e vai para sua vila e lá descobre que tudo havia mudado. As pessoas eram diferentes, sua família havia desaparecido e sua casa estava abandonada e totalmente deteriorada. Triste, vai caminhando em direção à taverna que havia mudado de nome. Lá dentro, não conheceu ninguém e ao ser tomado como louco, acaba descobrindo que havia dormido não uma noite só, mas por 20 anos.
Os Estados Unidos já haviam se tornado independentes da Inglaterra, seus amigos mortos, seus filhos crescidos e já casados e sua esposa havia também falecido.
Essa história de Rip Van Winkle passou a representar uma pessoa que, permanecendo a mesma, passa a viver em dois períodos de tempo distintos, vivendo uma mudança social. Dormiu súdito de rei da Inglaterra e acordou em um país republicano, envolvido em eleições, democracia, direitos civis, etc.
Agora a pergunta: o que tem a ver essa história com a nossa realidade?
Seria como uma pessoa que, dormindo por 20 anos, tenha acordado em um Brasil diferente, totalmente mudado, mas, infelizmente mudado para pior. Dormimos e acordamos em um país que está voltando no tempo e não avançando.
O país que o dorminhoco se depara é um país onde as pessoas perderam o pudor de se manifestarem publicamente como racistas, agredindo violentamente pessoas de etnias diferentes. Um mundo onde crianças são assassinadas por balas perdidas sem que isso cause uma comoção, simplesmente virando uma notícia no pé de página de um jornal.
Um mundo no qual as pessoas estão perdendo seus direitos civis, seus direitos trabalhistas, onde não há emprego para todo mundo, um mundo no qual pessoas acham que vacinas são prejudiciais à saúde, que a terra é plana, que peixes são inteligentes e capazes de se desviarem de óleo derramado no mar, que existe uma obrigatoriedade de meninas usarem roupa cor de rosa e que os meninos devem usar sempre azul e um presidente que usa e abusa de palavras chulas e que toma decisões que serão anuladas no dia seguinte.
Um mundo no qual um representante eleito defende publicamente o retorno da ditadura com todo o mal que causou na nossa sociedade e acredita que basta pedir desculpas que tudo voltará à normalidade.
Um mundo onde o fundamentalismo religioso se torna a tônica para a discussão política sem que as pessoas não percebam, e que a história mundial já nos mostrou muito bem, que não é aconselhável que as duas coisas se misturem.
Pés de goiaba, canetas azuis, peixes inteligentes, racismo, intolerância, violência, sofrência, golden shower...
Como Rip Van Winkle, podemos nos fazer uma pergunta: o que aconteceu? Para onde foi o meu mundo?
Recentemente ouvi no rádio um boletim informativo emitido pela CNI – Confederação Nacional da Indústria – que dizia de uma forma positiva que o custo da força de trabalho tinha sofrido uma redução de 16% e que, portanto, o custo de produção da indústria teria apresentado uma redução. O resultado disso, de acordo com a opinião da CNI, era que poderia gerar um novo momento de crescimento do investimento.
Até esse ponto não está mostrando nada de novo.
A questão que gostaria de levantar é a maneira como uma informação pode ser trabalhada. Pensar que uma redução de 16% no custo da força de trabalho é um sinal positivo para a atividade empresarial já que isso reflete uma redução de custo? Como sempre, não uma resposta simples, ou seja, a resposta seria sim e não!
Vamos por partes. Se a resposta é sim implica dizer que, uma redução nos custos de produção, considerando a estrutura concentrada da indústria brasileira, ou seja, os preços não sofrem uma redução com a diminuição dos custos, aumentará a margem de ganho do industrial. Daí se entende a maneira tão auspiciosa como a notícia foi anunciada no rádio.
Agora a outra parte. Se a resposta é não, uma redução no custo da mão de obra significa que o salário, que é a renda do trabalhador está em queda. Salário em queda, por sua vez, implica em menor demanda. Menor demanda, menores vendas. Assim, a expectativa de maior ganho, dado que o custo foi menor, não se efetiva. Torna uma vitória de Pirro.
Mas, (sempre existe um mas...) alguém poderia argumentar que, conforme nos diz os dados do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego – no mês de setembro a economia brasileira gerou um saldo positivo de 157 mil novos empregos e que podemos nos alegrar já que a economia está se recuperando.
Na verdade, tudo gira em torno da forma como interpretamos a realidade que nos cerca.
Esse saldo positivo de novos empregos em setembro representa um crescimento de 0,4% no emprego. Sem querer sem desmancha prazer, ainda não é possível afirmar que esteja ocorrendo uma recuperação na atividade econômica ainda mais que, conforme notícia recente, o FMI – Fundo Monetário Internacional – prevê que o Brasil somente conseguirá se recuperar economicamente a partir de 2024. Está perto e ao mesmo tempo está muito longe. É perto talvez para alguém do governo, mas extremamente longe para quem está desempregado.
Já que estamos falando do CAGED, vamos ver o que está acontecendo em São Gotardo. Quando olhamos os números para setembro o que vemos não é animador e não permite ter o mesmo otimismo que alguns setores da imprensa e de representantes da indústria e governo.
Em setembro houve uma perda líquida de empregos na nossa cidade. Foram gerados 473 novos empregos enquanto foram fechados 748 postos de trabalho, ou seja, uma redução de 275 empregos, que representa uma variação de -3,33%. Agora, o que mais preocupa é que o setor agropecuário, atividade predominante aqui, foi o que mais demitiu, apresentando uma queda de 8,23% no emprego. Também a construção civil, setor que normalmente absorve muito trabalho, apresentou uma variação de -4,21%. Os demais setores apresentaram variações pífias.
Nos doze últimos meses, a variação acumulada foi de -2,68%. Preocupante.
O fato é que ainda é cedo para fazer qualquer afirmativa sobre a recuperação da economia. Não é possível acreditar piamente em algumas notícias que lemos ou escutamos. É possível que seja uma recuperação, apesar de muito, mas muito, tímida. Afinal, se a taxa de desemprego está por volta de 12% da força de trabalho, uma variação positiva de 0,40% não faz muita marola não.
Mas (aqui está o "mas" novamente...) pode ser um crescimento meramente conjuntural. Afinal, no segundo semestre sempre há uma tendência de crescimento no emprego. Temos o dia das crianças e quanto mais próximo do final do ano, maior o estímulo para a contratação temporária de trabalhadores se pensarmos no natal.
Uma coisa é certa e já vem sendo certa há algum tempo, infelizmente. Não há nenhum esforço por parte do governo federal em estimular o crescimento do emprego. Não está sendo feito nada a esse respeito a não ser esperar que a iniciativa privada faça alguma coisa. Já a iniciativa privada, o famoso mercado, está esperando o governo fazer alguma coisa. Fica parecendo briga de criança...vai você!! Não, vai você!!!!
É desse jeito: vamos deixar do jeito que está para ver como que fica...
O medo é perceber que 2020 já tenha terminado muito antes de começar. Será que não dá pra ir direto pra 2024 não???
Chega um momento da vida em que se costuma cair na rotina.
Não sei se é uma boa situação ou não é. Por um lado, se pode pensar em uma vida sem sobressaltos, sem sustos, onde prevalece a máxima de uma música que diz que devemos deixar a vida nos levar. Cairemos, dessa forma, em um ciclo virtuoso de uma vida que não se modifica.
Porém, por outro lado, podemos perder a capacidade de modificar a vida, de criar alternativas para nós mesmos. A rotina pode nos prender em um círculo vicioso do qual teremos dificuldades em sair.
Por que estou falando isso? As razões são simples e ao mesmo tempo preocupantes.
Temos que sair da rotina. Nosso tão combalido país precisa ser revigorado. Precisamos tomar um choque de realidade e perceber que temos muito o que fazer para andarmos novamente em direção ao crescimento e mesmo em direção a um desenvolvimento social.
Não podemos mais ficar parados, presos em uma discussão que se mostra cada vez mais infrutífera.
Estamos, cada vez mais, nos afundando em uma ideologia que a história já mostrou que é falha, que é insuficiente para colocar o Brasil em uma nova etapa de crescimento econômico.
A ideologia liberal, ou liberalismo, como é comumente chamada, assumiu o papel de discurso ideológico preponderante na sociedade brasileira. Em termos de questões econômicas, o liberalismo apregoa aos quatro ventos a virtude da iniciativa privada em detrimento da ineficiência do Estado como indutor e mantenedor do crescimento econômico.
"Devemos reduzir o tamanho do Estado", gritam uns. "Devemos retirar as amarras que limitam as ações do empresário", berram outros. Outros mais exaltados gritam "criamos um monstro" se referindo ao Estado. E por aí vai...
Podemos fazer algumas perguntas simples a esses tão exaltados. Primeiro. Considerando a atual elevada taxa de desemprego que faz com que a oferta de trabalho (os trabalhadores) se torne maior que a demanda por trabalho (os empresários) e, como nos ensina a economia liberal, o preço desse produto, o trabalho, tende a se reduzir como de fato está acontecendo.
Hora, se o salário está em queda e seguindo a lógica liberal, porque os empresários não seguem essa cartilha e demandam mais trabalho? Afinal, trabalho é um custo e um custo menor implica um estímulo para produzir mais. No entanto, quando olhamos a taxa de desemprego iremos perceber que isso não está acontecendo.
Os exaltados então gritariam: " o Estado atrapalha cobrando impostos". Outros, mais radicais gritam: "imposto é roubo". "Temos que reduzir o Estado e reduzir os impostos", berram outros. No entanto, esquecem que nossa estrutura tributária é altamente regressiva e que incide basicamente sobre a renda e o consumo e proporcionalmente menos sobre a produção.
Ainda insistindo gritam mais alto: "O Estado cria amarras para as contratações de mão de obra." "Temos que reduzir o custo das contratações", dizem outros. Mas em 2016 foi aprovada a reforma trabalhista que fez exatamente isso e não foram gerados novos empregos. Aqui escutamos grilos estridulando (santo Google...) e vemos um monte de gente fazendo cara de paisagem.
"O Estado", insistem, "tira as oportunidades de novos negócios e, portanto, temos que privatizar". "Porque o Estado tem que produzir se é ineficiente?" Gritam alguns. A história recente do nosso país, com as privatizações que ocorreram no passado mostraram somente que o preço dos serviços privatizados aumentou e a qualidade cresceu igual rabo de cavalo. Se não concordam com isso, olhem para a fatura do serviço de celular e pensem no tanto que é difícil conseguir sinal em alguns lugares da cidade.
A questão básica é simples. Para tirarmos a economia da crise atual é necessário um impulso inicial e esse impulso chama-se investimento público. A história econômica mundial nos mostra a importância do investimento público como indutor do crescimento. Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França e principalmente a China, são exemplos claros do esforço do Estado como fator do crescimento econômico.
O discurso liberal em voga no Brasil funciona mais ou menos assim. "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço." Isso implica dizer que estamos caminhando rapidamente para nos tornarmos não uma Venezuela como dizem os críticos, mas uma Argentina onde o principal problema deixou de ser o emprego e passou a ser a fome. É chocante ver que um país que já apresentou no passado uma qualidade de vida próxima dos países do primeiro mundo está, nesse momento, discutindo como acabar com a fome dos seus cidadãos.
Não se esqueçam. A política adotada na Argentina de Macri é a mesma adotada no Brasil de Bolsonaro e nos últimos três anos o Brasil voltou a fazer parte do mapa da fome no mundo.
Nem sempre a grama do vizinho é mais verde.
Olhando as notícias mais recentes percebemos que o Brasil continua descendo uma ladeira completamente desgovernado.
O desemprego continua elevado e não dá mostra de uma queda significativa. A taxa de desemprego apresenta pequenas oscilações, de caráter totalmente conjuntural, mas não há nenhum indício que será reduzido mesmo que seja a curto prazo.
A Amazônia está desaparecendo rapidamente. As informações que estão sendo divulgadas mostram um crescimento acelerado da derrubada da floresta desde o início desse ano e a ocorrência de grandes incêndios.
À reforma trabalhista de 2016 somou-se a medida provisória da liberdade econômica retirando ainda mais direitos dos trabalhadores sem que se consiga gerar um novo emprego que seja.
A taxa de juros continua elevada mesmo que apresente pequenas variações para baixo de vez em quando.
As projeções de crescimento do PIB estão igual rabo de cavalo. Só para baixo. Já se trabalha com uma variação de 0% para 2019. Eu sei que parece estranho dizer que irá variar 0%, mas é assim que os pretensos analistas de mercado pensam...
A reforma da previdência está caminhando rapidamente na Câmara dos Deputados. Foi facilmente aprovada em primeiro turno e também facilmente aprovada em segundo turno. Só não reparem ter sido aprovada de madrugada. Afinal, de madrugada todos os gatos são pardos... E não se iludam achando que há um envolvimento patriótico dos nossos representantes. Foi às custas de muito dinheiro que essa reforma foi aprovada.
A política externa brasileira é, como se diz à boca miúda, um samba do crioulo doido. O Brasil está se isolando do resto do mundo em função de uma aproximação irresponsável aos interesses norte-americanos. O acordo do Mercosul com a União Européia, tão propalado e tão festejado já foi abandonado, tanto pelos brasileiros como, principalmente, pelos países da própria União Européia. Virou um biscoito de polvilho. Muito barulho e pouca consistência.
O exército brasileiro fez uma revisão da lista de armas que nós, cidadãos comuns, poderemos comprar. Incluiu na lista armas de calibres mais pesados que eram de uso exclusivo das forças armadas. Só falta agora liberar o financiamento para coletes a prova de bala para que nós possamos sair de casa e ter uma pequena chance de voltar para ela no final do dia.
O Congresso flexibilizou o porte de arma de fogo dentro das propriedades rurais. Podemos entender que começou a temporada de caça?
Já se fala em rever a legislação que trata do trabalho escravo. Trabalhos que são, até esse momento, considerados análogos à escravidão poderão deixar de ser.
Radares móveis serão retirados das estradas com o propósito de acabar com uma pretensa indústria das multas. Dessa forma, as estradas brasileiras se tornarão terras de ninguém.
E o FEBEAPÁ continua. Pedindo licença mais uma vez a Sérgio Porto, a lista só vai crescendo. Se quisermos reduzir o impacto do crescimento econômico sobre o meio ambiente bastaria comermos menos e convencer nossos intestinos a funcionarem dia sim, dia não. Não, não foi um humorista de qualidade duvidosa que disse isso. Foi o atual presidente do Brasil.
Nesse ponto, diante desse festival de besteira que assola nosso país, cabe aqui uma pequena observação. Afinal, o que é mais importante? O que devemos discutir de fato? Essas falas absurdas, que beiram o ridículo, ou os problemas reais do nosso país? Assim como ignorar argumentos que defendem que o nosso planeta é plano e que nas beiradas a lei da gravidade não funciona, devemos ignorar essas falas absurdas do presidente do Brasil que acabam servindo de uma cortina para esconder o fato de que o atual governo não tem nenhuma proposta que consiga retirar a economia brasileira da recessão que está vivendo.
O brasileiro precisa colocar em sua pauta de discussão aquilo que realmente importa.
Desde 2015 a atividade econômica vem decaindo. Estamos passando por um grave processo de desindustrialização com um aumento brutal da desigualdade econômica. O Brasil retornou, nos últimos dois anos para o mapa da fome. O volume de investimento tanto público quanto privado está próximo de zero. As empresas, quando se deparam com crescimento de vendas, utilizam uma capacidade ociosa que beira os 50%. Ou seja, não há investimento. E, se não há investimento, não há emprego.
A grande pergunta: O que está sendo feito pela equipe econômica para reverter esse quadro assustador? A resposta é simples: NADA. Assim como a reforma trabalhista, a reforma da previdência não irá gerar uma nova etapa de crescimento.
Assim, diante disso tudo, podemos esperar mais falas absurdas do nosso comediante maior.